Capítulo 5
Dominic
O silêncio que se instalou na sala logo após a minha declaração foi nada menos que ensurdecedor. Se um alfinete caísse no carpete importado, tenho certeza de que soaria como uma explosão.
Minha avó, que na verdade se chama Helena — embora meu cérebro tenha dado um nó rápido e eu quase a tenha chamado pelo nome da minha falecida tia Olivia em um surto de pânico —, lentamente girou o corpo para encarar a intrusa. O olhar que lançou para a garota foi o mesmo que um juiz de prestigiado concurso de raças usaria para avaliar um animal em leilão. Ela varreu a moça da cabeça aos pés, computando cada detalhe: a falta de maquiagem carregada, a saia lápis bem cortada, a postura postura rígida e a pasta amarela que a garota apertava contra o peito como se fosse um escudo protetor.
Tudo estava sendo devidamente anotado no arquivo mental impiedoso da matriarca da família Scott.
— Qual é o seu nome? — a voz da minha avó cortou a tensão, seca, ereta e direta como um tiro de rifle.
A moça hesitou por uma fração de segundo. Seus olhos cor de mel se arregalaram levemente, alternando um olhar mortal entre o meu rosto — onde eu mantinha um sorriso de comercial de pasta de dente — e o da senhora à sua frente, que parecia pronta para mandar guilhotiná-la.
— Meu nome é Stella — respondeu a garota, a voz saindo surpreendentemente firme, apesar do absurdo absoluto da situação. — Senhora.
— Não me chame de Senhora. Senhora está no céu, e eu pretendo demorar um pouco mais para ir para lá — desdenhou a velha, ajeitando as luvas imaginárias de sua autoridade. — Eu sou Olívia Scott.
O olhar que minha avó me lançou em seguida foi puro veneno banhado em desconfiança. Ela não era estúpida. Sabia, no fundo dos seus ossos calculistas, que alguma coisa ali cheirava a armação rápida. Por um segundo aterrorizante, achei que ela fosse me encostar na parede, exigir fotos do nosso namoro, um histórico de datas ou desmascarar a minha mentira descarada ali mesmo na frente da coitada.
Em vez disso, ela apenas ajustou a alça da sua bolsa Chanel no ombro com uma elegância assustadora.
— Você quer se casar comigo?
O silêncio voltou, mas desta vez acompanhado pelo choque estático da garota. Os olhos cor de mel dela se arregalaram tanto que achei que fossem saltar das órbitas. A boca abriu. Fechou. Abriu de novo, sem emitir som algum. Ela piscou três vezes seguidas, exatamente como um computador tentando reiniciar após um erro fatal no sistema.
— Eu... — a voz dela saiu estrangulada, uma oitava acima do normal. — O quê?!
Dei mais um passo na direção dela, deslizando as mãos para dentro dos bolsos da minha calça social, estampando no rosto aquele meu sorriso clássico — o mesmo que costumava me garantir quase tudo o que eu queria nesta vida.
— Casar. Você e eu. Na igreja se você for religiosa, no civil se for prática. Um contrato temporário, muito bem estruturado. Seis meses, talvez um ano no máximo. Tempo suficiente para a minha avó parar de encher o meu saco com cláusulas arcaicas e eu reorganizar a diretoria da empresa. Em troca, você recebe um apartamento no centro, um carro zero na garagem e uma gratificação financeira no final que paga com folga os seus próximos dez anos de aluguel.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Dominic: A virgem e o CEO Bilionário