Diego estava perdido em seus pensamentos quando sentiu um toque suave e quente em sua mão. Virou a cabeça e viu Telma olhando para ele com preocupação:
— Diego, está com dor no estômago? Quer que eu pegue um pouco de sopa para você?
Ele balançou a cabeça, recusando.
Enquanto isso, Alana terminava de cumprimentar Dario. Sem demonstrar emoção, puxou a cadeira e se sentou à mesa, completamente alheia à interação entre Diego e Telma. Dario, por outro lado, deixou escapar um resmungo de desprezo.
Os jantares na família Arruda sempre seguiam a etiqueta rígida de silêncio à mesa. Alana, sem muito apetite, apenas acompanhou Dario e comeu um pouco para não parecer desrespeitosa.
Quando a refeição terminou, Dario segurou a mão dela e disse:
— Eu já soube de tudo entre você e o Diego, Alana. Não se preocupe, para a família Arruda, você é e sempre será a única nora legítima.
Dario lançou um olhar cortante para Diego e Telma, cujas expressões ficaram tensas. Aproveitando o momento, disparou com sarcasmo:
— Se alguém tiver que sair da família Arruda, que seja o terceiro incomodado que destrói lares alheios, ou então um homem que não sabe valorizar a própria família!
Alana sentiu o rosto esquentar de constrangimento.
Diego franziu o cenho, visivelmente irritado, enquanto Telma apertava sua mão com força. Seus olhos brilhavam com lágrimas contidas, e ela parecia frágil e vulnerável, exatamente o tipo de mulher que despertava o instinto protetor de Diego.
Dario, no entanto, ignorou completamente os dois. Virou-se para Alana e, com um suspiro, comentou enquanto mexia o café:
— Eu e seu pai éramos grandes amigos, Alana. Quando você se casou com o Diego, fiquei tão feliz que comemorei por dias. Agora, se você sair da família Arruda, como vou olhar para o seu pai e explicar isso?
Diego massageou as têmporas, frustrado:
— Vovô, farei tudo o que puder para compensar Alana. Mas sentimentos não podem ser forçados…
Dario imediatamente ficou vermelho de raiva, batendo os punhos na mesa:
— Forçados? Forçados? O que está me dizendo? Está cego, Diego? Olhe para as mulheres que você escolhe!
— Vovô…
Antes que os dois começassem a discutir, Alana interveio com uma voz calma:
— Vovô, não foi ele quem quis o divórcio. Fui eu.
O silêncio que se seguiu foi quase palpável.
Dario soltou um suspiro pesado, ignorou Diego completamente e subiu direto para seu escritório.
Diego ficou parado, com o rosto cada vez mais sombrio.
Telma, ao lado dele, tocou gentilmente seu braço. Sua voz era suave, como sempre:
— Diego, por que você não sobe e tenta consolar o vovô? Ele gosta muito da Srta. Alana. Deve estar sofrendo muito agora.
Telma sempre soube como ser compreensiva. Diego apertou sua mão e disse:
— Vou te levar para casa primeiro.
Depois de deixá-la em segurança, Diego subiu para o escritório de Dario. Encontrou o avô mergulhado em pensamentos enquanto mexia mecanicamente uma xícara de café. Sem dizer uma palavra, sentou-se ao lado dele, serviu uma xícara quente e comentou com uma pitada de cansaço na voz:
— Vovô, a Telma será minha futura esposa. Mesmo que o senhor não a aceite, poderia pelo menos tratá-la com um pouco mais de respeito.
Dario soltou uma risada sarcástica:
— Engraçado… Quando Alana se casou com você, eu disse exatamente a mesma coisa. Disse que ela era sua esposa, e que você deveria tratá-la com respeito, mesmo que não gostasse dela. E o que você fez?

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