Alana parou os passos. Sua expressão permanecia tranquila, mas ela não estendeu a mão para retribuir o cumprimento. O rosto de Telma ficou levemente rígido.
Ao lado, Diego abriu a boca para quebrar o silêncio, com a voz baixa e grave:
— O vovô ficou sabendo da gente. Ele pediu para você ir jantar hoje à noite. Seu celular estava desligado, então vim te buscar.
— Entendi. — Alana olhou para o celular e confirmou que estava desligado. Assentiu com a cabeça. — Vou carregar a bateria. Daqui a pouco eu vou.
O subtexto era claro: ela não planejava ir junto com eles.
Diego franziu as sobrancelhas:
— Que tal eu esperar você aqui em baixo?
Alana interrompeu-o com um sorriso leve:
— Não precisa. Eu vou sozinha.
Diante do silêncio dele, Alana desviou o olhar para Telma e lançou calmamente:
— E amanhã, às nove da manhã, se você estiver livre, podemos ir buscar o certificado de divórcio.
Por algum motivo, Diego sentiu uma inquietação crescer em seu peito:
— Está com tanta pressa assim?
Alana assentiu, séria:
— Sim, bastante.
As palavras dela o calaram. Com o semblante fechado, Diego segurou o braço de Telma e começou a se afastar.
Depois de alguns passos, Telma sussurrou algo próximo ao ouvido de Diego e, em seguida, voltou-se para Alana com um sorriso gentil. Seus olhos transmitiam uma doçura calculada:
— Srta. Alana, de qualquer forma, eu lhe devo um agradecimento.
Alana ficou confusa:
— Me agradecer pelo quê?
Era algo que quase nunca fazia enquanto estava casada com Diego. No início do casamento, até se esforçava para se maquiar, mas Luana sempre a criticava, dizendo que uma esposa de verdade deveria ser "simples e discreta". Quanto a Diego, ele sequer olhava para ela.
Agora, livre dessas amarras, Alana finalmente fazia o que tinha vontade. Quando terminou de se arrumar, chamou um táxi e partiu para a mansão da família Arruda.
— Sra. Arruda, por aqui, por favor.
O mordomo, ao vê-la, demonstrou certa surpresa, mas manteve o tom respeitoso ao guiá-la para a sala de jantar. Ao ouvir como ele ainda a chamava, Alana teve certeza de que Dario, o patriarca da família, não estava disposto a aceitar o divórcio entre ela e Diego.
E, de fato, ao entrar na sala, encontrou não só Diego, mas também Telma sentada à mesa. Dario tinha o semblante fechado e não dizia uma palavra, criando uma atmosfera pesada no ambiente.
No entanto, ao ver Alana, o rosto de Dario relaxou um pouco. Ele abriu um sorriso caloroso e a convidou com gentileza:
— Alana, venha. Faz tanto tempo que você não janta comigo.
Diego, quase por instinto, levantou os olhos. Quando seu olhar pousou em Alana, algo dentro dele vacilou.
Sem os óculos, os olhos naturalmente alongados de Alana se destacavam, revelando um brilho especial. O contraste com o tom rosado das lentes de contato dava a ela um ar misterioso e sedutor. Combinados ao vestido vibrante, seus traços irradiavam confiança e uma elegância ousada, completamente diferente da mulher submissa e apagada que ele estava acostumado a ver.

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