Alana ouviu a conversa do lado de fora do escritório e abaixou os olhos. Durante todos esses anos como parte da família Arruda, ela sempre se esforçou ao máximo para cuidar de Luana, sua sogra, e de Isadora, a irmã caçula de Diego.
Quando Isadora sofreu aquele acidente de carro e precisou passar por uma cirurgia delicada, foi Alana quem ficou noites inteiras no hospital, cuidando dela. Para Luana, ela sempre teve paciência e respeito, tratando-a com o máximo de atenção. Mas, no fim das contas, tudo isso não fez a menor diferença. Não importava o quanto se dedicasse, o desprezo dos Arruda por ela nunca mudou.
Pouco depois, o celular tocou. Era Luiza Duarte, a voz dela soava um pouco cansada:
— Alana, você realmente não vai? Eu me lembro que você adorava caçar ao ar livre. Sem falar que é sempre uma boa desculpa para dirigir como louca.
Alana ficou um instante em silêncio, surpresa. Algumas lembranças vieram à tona, como se alguém tivesse puxado uma corda esquecida em sua mente.
Antes de se casar com Diego, ela realmente amava caça, carros velozes e bons vinhos. Mas tudo isso mudou quando ela o conheceu na casa da família Bispo. Foi amor à primeira vista.
Depois de se apaixonar por ele, começou a ouvir rumores: Diego gostava de mulheres recatadas, elegantes e delicadas, típicas damas da alta sociedade. Então, pouco a pouco, Alana foi abandonando tudo que fazia parte de sua essência.
Três anos. Três longos anos, e ela quase já não se lembrava mais de quem era antes daquele casamento.
Do outro lado da linha, Luiza continuava tentando convencê-la:
— Alana, se você não quer que Diego saiba, tudo bem, você pode esconder dele. Mas, sério, parar de fazer tudo que gosta só por causa de um homem? Ainda mais o Diego que...
— Nós nos divorciamos. — Respondeu Alana.
Alana interrompeu Luiza com uma voz calma, quase fria.
O silêncio do outro lado foi curto, mas intenso. Luiza parecia estar processando a informação antes de soltar um suspiro audível:
— Você finalmente criou juízo? Ou foi ele que enlouqueceu?
Alana riu baixinho:
— Foi ele quem pediu. E eu concordei.
A água gelada escorreu, encharcando o cabelo e as roupas dela. Isadora ficou furiosa, gritando escandalosamente:
— Você está louca, Alana? Como ousa me jogar água assim?
Alana, com a calma de quem já esperava por aquilo, pegou um lenço e secou as gotas que haviam respingado em seus próprios dedos. Então, olhou para Isadora e respondeu, com uma voz tranquila, mas carregada de ironia:
— Até o mais patético dos patinhos feios tem bico para se defender.
Isadora ficou boquiaberta, sem acreditar no que acabara de ouvir. Aquela mulher, que por três anos ela humilhou e desprezou, agora estava enfrentando-a de cabeça erguida.
Alana percebeu o choque estampado no rosto dela. Durante todo o casamento, não importava o quanto Luana e Isadora fossem cruéis, ela sempre manteve a compostura. Fez tudo o que podia para agradá-las, sem nunca reclamar.
Ela era a nora e a cunhada perfeita, e sempre gentil, sempre submissa. Aceitava em silêncio as críticas, os insultos e as humilhações. E, com o passar do tempo, elas esqueceram que, antes de ser a Sra. Arruda, Alana era uma mulher que já havia enfrentado o mundo de cabeça erguida, com risadas altas, brigas inesperadas e uma liberdade que não pedia permissão a ninguém.
Agora, depois de três anos de submissão, ela estava cansada. Não precisava mais suportar nada. Um sorriso leve apareceu em seus lábios.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divórcio: Quebrando as Correntes que Ofuscam Sua Luz