O quarto espaçoso ficou em silêncio, restando apenas Deise e o corpo adormecido de Vivian sobre a cama.
Embora estivesse sedado, ele ainda mantinha a testa franzida.
Deise podia sentir...
O pânico que ainda residia no fundo da alma dele.
E a dor insuportável.
Ela se sentou à beira da cama.
Não havia dúvidas: o nome Victória fora o gatilho da crise.
Pelo visto, suas suspeitas estavam corretas. Toda a provação de Vivian, o exílio no México e a perda de sua sanidade, foram obra exclusiva de Victória.
Mas por quê?
Afinal, ele era o marido dela.
Mesmo que Victória estivesse obcecada em se casar com Palmiro Marques, precisava ter arruinado Vivian daquela forma?
Não bastava simplesmente ter pedido o divórcio?
Deise quebrava a cabeça, mas não encontrava lógica naquilo.
Tinha vagas lembranças de que fora Vivian quem tomara a iniciativa de propor casamento.
Ele havia organizado uma cerimônia de noivado grandiosa no Clube Céu e Platina.
Ela própria esteve presente naquela ocasião.
Viu com os próprios olhos Vivian ajoelhar-se com flores e um anel de diamantes, pedindo a mão de Victória.
E Victória chorou lágrimas de verdadeira emoção.
Deise não sabia exatamente como o romance entre os dois havia começado.
Mas, pelo menos naquele momento do pedido, aos olhos do mundo, pareciam perdidamente apaixonados.
E foi justamente por isso que, naquela época, ela jamais suspeitaria de qualquer envolvimento romântico entre Victória e Palmiro.
Se...
Se os dois realmente se amaram um dia, como Victória teve coragem de vender Vivian para o México?
Deise confiava no caráter de Vivian.
Sendo um homem tão gentil, atencioso e educado, mesmo que a esposa não o amasse mais e preferisse Palmiro, ele nunca mereceria uma crueldade tão extrema, merecia?
Sem conseguir evitar, Deise balançou a cabeça e soltou um suspiro pesado.
Ao cruzar olhares com ele, Deise arregalou os olhos.
— O que você está fazendo aqui?
Ela estava cara a cara com Palmiro.
Fazia um bom tempo que não o via e até chegara a pensar que finalmente teria um pouco de paz em sua vida.
Agora, ali estava ele de novo, impecavelmente vestido de terno, deixando claro que já havia se recuperado e recebido alta do hospital.
— E por que eu não poderia estar aqui?
Ele a encarava fixamente, com uma expressão hostil e distorcida.
— O que foi? Está incomodada porque atrapalhei o seu ninho de amor com o seu amante?
Palmiro cuspiu as palavras por entre os dentes cerrados, lançando um olhar de soslaio para o Dourado Celeste, do outro lado da rua.
— Morando num condomínio de luxo desses... Será que ele tem grana para bancar, ou é você quem paga o aluguel?
Com uma mão no bolso da calça, ele soltou uma risada gélida.
— Deise, não ache que só porque assinou aquele papel de divórcio nós não temos mais nada a ver. Fique sabendo que aquilo não vale de nada!

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