Ele baixou o olhar para Deise em seus braços, e seu olhar afetuoso e indulgente começou a se mesclar, pouco a pouco, a um mar crescente de contradições e conflitos.
No dia seguinte, Deise, seguindo a vontade de William, cuidou dos trâmites para a sua alta hospitalar.
Eles embarcaram no helicóptero, levando consigo Vivian, cuja mente agora estava prejudicada.
Quando o helicóptero começou a decolar, William notou que o olhar de Deise, ao contemplar a paisagem urbana lá embaixo, transbordava uma forte relutância em partir.
— O que foi? Você gostou daqui?
A pergunta de William trouxe a atenção de Deise de volta à realidade.
Deise olhou para ele e balançou a cabeça.
— Não, não é que eu tenha gostado daqui...
— Então por que sua expressão parece a de alguém que não quer ir embora?
— A minha relutância não é do tipo que você está pensando.
Deise sorriu, balançando o dedo indicador para William, como se estivesse fazendo uma charada.
Na verdade, não era que sentisse saudades do lugar em si.
Mas, já que estavam no País Quirino, ela não conseguia evitar um formigamento de ansiedade, o desejo de aproveitar a chance para investigar mais a fundo a causa da morte de sua mãe.
Partir tão cedo a deixava frustrada.
Anos atrás, sua mãe viera justamente para a Cidade Real, no País Quirino, participar de um projeto de pesquisa de um medicamento inovador para resfriados, e acabou sofrendo um acidente.
Deise lembrava-se vagamente de que, na última vez em que fizeram uma videochamada, o semblante da sua mãe não parecia normal.
Embora tivesse tentado forçar um sorriso, o terror genuíno que transbordava de seus olhos era impossível de esconder.
Infelizmente, na época, ela apenas pensou que a mãe agia de forma diferente, mas não foi a fundo na questão.
Alguns dias depois, recebeu a notícia de que sua mãe sofrera um acidente de carro, morrendo em terras estrangeiras.
Acidentes de trânsito ocorriam o tempo todo no mundo inteiro; qualquer um diria que fora apenas uma infelicidade do destino.
O estranho, no entanto, era que, após o trágico falecimento de sua mãe, o seu pai passou a proibi-la terminantemente de estudar farmácia.
Deise ainda se lembrava de quão implacável fora a atitude de Rafael Paiva na época.
Yasmin Pereira estava recebendo visitas.
— Nilda, o seu tio já havia arranjado uma posição para você na Bio Universo, e eu realmente achei que você ficaria estagiando conosco por um tempo! Jamais imaginei que os seus pais a chamassem de volta para casa tão depressa, até fiquei com receio de não termos sido bons anfitriões!
Yasmin segurava a mão de Nilda, as duas parecendo sogra e nora convivendo em perfeita harmonia.
Embora William não gostasse de Nilda, Yasmin sempre tivera uma excelente impressão da jovem.
Ela gostava de garotas de boa família, elegantes, recatadas e bem-educadas.
— Como você veio nos visitar de novo, será que os seus pais mudaram de ideia e concordaram em deixar você ganhar experiência na nossa Bio Universo?
— Não é isso, tia. — Nilda balançou a cabeça, e a sua expressão tornou-se séria e tensa.
— A minha visita hoje é para lhe contar algo. Acho que a senhora ainda não sabe, mas o William...
Ao ver Nilda mencionar William, o rosto de Yasmin mudou ligeiramente, e uma tensão inexplicável tomou conta dela.
— O William se feriu, levou um tiro... e parece que... foi por causa da namorada dele.

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