Pressionando o corpo sobre Deise, William arrancou a própria gravata com um puxão brusco.
Ele a encarava nos olhos como uma fera faminta.
Aquela expressão de quem estava determinado a devorá-la por completo fez o rosto de Deise mudar de cor.
Na verdade, Deise não rejeitava a ideia de ir para a cama com William.
Ela gostava dele, e dormir com um homem tão maravilhoso quanto William era um privilégio.
No entanto, o William que a pressionava naquele momento não estava nada bem.
— Se você me forçar, eu nunca mais vou falar com você!
Deise disse isso com muita seriedade.
Ela nem sequer tinha esperanças de que ele a escutasse ou que fosse parar.
Mas, para sua surpresa, William parou.
Aquela violência assustadora que o dominava da cabeça aos pés foi se dissipando, e ele rolou para o lado, deitando-se de costas na cama.
Era evidente que ele precisava se acalmar.
O quarto ficou tão silencioso que o ar parecia ter parado de circular.
Apenas a respiração ofegante de William ecoava nitidamente.
Deise observou em silêncio o perfil de William; a linha afiada de seu maxilar era incrivelmente atraente.
— Me desculpe...
Depois de um longo tempo, com a voz um pouco fraca, William tomou a iniciativa de se desculpar.
Deise se aproximou um pouco mais dele e perguntou com seriedade:
— Você pode me dizer... o que exatamente aconteceu com você?
Na memória de Deise, eram raras as vezes em que vira William perder o juízo daquela forma.
Ele sempre fora muito contido e, mesmo no auge do desejo, nunca ignoraria por completo a vontade dela.
No entanto, Deise não conseguia entender: o que o teria provocado a ponto de agir assim?
Inclinando a cabeça, ela espremeu o cérebro tentando se lembrar de algo, mas não conseguiu achar uma explicação.
Momentos antes, ela estava apenas sentada no colo dele, flertando e elogiando a sua beleza.
Será que era um erro elogiar a aparência de alguém?
Sem conseguir compreender, Deise desceu da cama e serviu um copo de água para William.
Ele se sentou, bebeu a água de um só gole, e as suas íris escuras e profundas recuperaram aos poucos a calma e a tranquilidade de sempre.
— Eu estou bem agora. Desculpe por ter assustado você, sim?
— Um pouco...
Deise respondeu em voz baixa.
Ao anoitecer, embora houvesse um quarto para acompanhantes no hospital, Deise decidiu ficar ali mesmo, espremendo-se com William na mesma cama de solteiro.
Dormir espremida ao lado dele não era exatamente confortável, mas era muito acolhedor, e Deise adorava isso.
A noite avançava, e um silêncio absoluto pairava no ar.
O quarto estava escuro como breu. Aconchegada nos braços de William, Deise dormia profundamente.
William, que até então parecia repousar tranquilamente, abriu os olhos de supetão.
Na escuridão, os seus olhos brilhavam intensamente.
Ele não havia adormecido em momento algum.
Porque simplesmente não conseguia dormir.
Ele sentia que...
O motivo pelo qual sua mente era assombrada por pensamentos do passado talvez fosse porque estavam na Cidade Real, no País Quirino.
Ele detestava aquele lugar.
Queria ficar o mais longe possível dali.
Mas...
Para ele, aquele lugar era também o começo de um sonho maravilhoso, o ponto de partida de uma nova esperança.
William soltou um suspiro mudo.

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