Como o instituto ficava em uma região remota, Deise, com medo de ficar sem sinal no celular, havia preparado um mapa de papel com antecedência.
Até aquele momento, a van não havia errado o caminho, e realmente seguia pela rodovia principal em direção ao instituto.
A escuridão da noite foi ficando cada vez mais espessa.
A paisagem do lado de fora da janela transmutava-se lentamente da cidade para montanhas e florestas.
Cadeias intermináveis de montanhas passavam como um borrão diante dos olhos de Deise, sendo rapidamente deixadas para trás.
Ao que parecia, a Serra do Lobo já estava bem à frente deles.
No entanto, no meio da noite, mesmo que as duas principais facções quisessem entrar em conflito, elas provavelmente não escolheriam esse horário.
Assim que teve esse pensamento, Deise o rejeitou imediatamente.
Talvez para aqueles grupos armados locais, quanto mais escura fosse a noite, mais fácil seria realizar os seus esquemas criminosos e ilícitos.
De repente, um pensamento surgiu na mente de Deise.
No meio do breu e no fundo daquelas montanhas isoladas, se a vendessem, ela provavelmente nem sequer teria chance de escapar, não é mesmo?
Sentindo uma súbita premonição sinistra no peito, Deise perguntou ao Dr. Costa, que estava ao seu lado:
— A propósito, Dr. Costa, quem foi que comprou as nossas passagens aéreas? Por que não compramos um voo mais cedo?
Se tivessem conseguido um voo mais cedo, ao menos quando o carro entrasse na área da Serra do Lobo, o céu não estaria tão escuro a ponto de não se conseguir enxergar nada.
— Foi a Sylvia quem comprou. — O Dr. Costa respondeu casualmente: — Talvez os voos mais cedo já estivessem esgotados.
Ouvir o nome de Sylvia saindo da boca do Dr. Costa só fez o pressentimento ruim que já afligia Deise se intensificar ainda mais.
— Não me diga que... a pessoa que sugeriu que nós, os membros principais do projeto, viéssemos ao México para uma pesquisa de campo... também foi a Sylvia?
— Sim!
O Dr. Costa assentiu, completamente alheio à expressão de nervosismo no rosto de Deise.
— A pessoa que mencionou isso para mim no início foi a Sylvia, mas, na época, as informações pareciam não ter muito fundamento, então eu nem dei muita bola... Mais tarde, vendo que muitas pessoas do setor começaram a prestar atenção — inclusive isso foi mencionado naquele congresso do qual você participou antes! —, a Sylvia então sugeriu novamente que eu trouxesse alguns de vocês para fazer uma inspeção local pessoalmente. Afinal, se essa mutação realmente tiver efeitos milagrosos, será muito útil para o medicamento de ação rápida para resfriados que estamos desenvolvendo!
— E a associação daqui do México... foi a Sylvia quem ficou responsável por entrar em contato?
— Exatamente, por quê?
O Dr. Costa perguntou a Deise, confuso.
O homem que foi questionado ficou atônito por um momento, os músculos de sua boca tremendo de leve.
— Ah, isso... Está indo bem, bem tranquilo.
— Entendo...
Deise não disse mais nada.
Agora, as pontas de seus dedos estavam geladas, e o coração parecia bater na garganta; no entanto, ela precisava se obrigar a manter a calma.
Aquele grupo definitivamente não era formado por membros da associação médica do México.
Ela havia apenas feito um pequeno teste, e o indivíduo se entregou na mesma hora.
A associação médica local do México nunca havia realizado nenhum tipo de pesquisa sobre autismo infantil.
Porém, ao ouvir a pergunta, não apenas ele não negou, como ainda concordou e seguiu com a mentira.
Ficava claro, então, que aquela gente não sabia absolutamente nada sobre a associação médica mexicana.
— Ai... ai, ai... a minha barriga...

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