— Eu não estou com frio... Você, sim. Ainda não se recuperou dos machucados, cuidado para não pegar um resfriado.
Ao ouvir a preocupação de Deise, William hesitou por um momento.
— Como você sabe que eu ainda não me recuperei dos meus machucados?
Assim que ele terminou de falar, Deise de repente pegou a sua mão e a ergueu.
— O hematoma nas costas da sua mão e as marcas de esparadrapo provam que você estava tomando soro antes de vir me ver, acertei?
— ...
Os lábios finos de William se moveram, mas, antes de poder dizer qualquer coisa, ouviu o pedido de desculpas de Deise.
— Me desculpe, eu não devia ter vindo te procurar na sua empresa sem avisar, deveria ter te ligado primeiro.
A voz de Deise estava cheia de remorso.
E o seu coração também.
Ao acordar no hospital, ela tinha apenas um pensamento em mente:
Ver William.
Ela queria ver William.
Queria saber como William estava.
Queria dizer "obrigada" a ele pessoalmente.
Por isso, logo que Palmiro foi embora, ela solicitou a sua alta o mais rápido possível e dirigiu até a empresa de William.
Nesse meio tempo, ela não entrou em contato com ele.
Queria aparecer de surpresa na empresa e fazer uma surpresa a ele.
No entanto...
Ela havia sido imprudente.
Nem sequer passou pela sua cabeça que William, assim como ela, também poderia ter sido internado no hospital.
Ou que até mesmo estivesse com ferimentos piores do que os dela.
Abaixando o olhar para as costas da mão de William, marcada com um hematoma e um furo de agulha, Deise sentiu um peso sufocante no peito.
Ela não queria admitir que sentia o coração doer por ele.
Mas se não fosse dor no coração, de que outra forma poderia chamar aquele sentimento?
— Você não precisa pedir desculpas, não fez nada de errado...
A voz magnética de William ressoou em seus ouvidos, como se um dedo dedilhasse as cordas do coração de Deise.
— Fosse entrar no fogo para te salvar ou arrancar a agulha para vir te ver... fiz tudo isso porque eu quis, e assumo qualquer consequência. A responsabilidade não é sua.
Aquelas palavras ditas com tamanha calma provocaram uma onda turbulenta dentro de Deise.
Deise olhou para o rosto imperturbável de William e, após um momento, não pôde conter um sorriso.
Apenas desta vez, o estopim da discussão haviam sido as joias de Victória.
Na lembrança de Palmiro, ele não havia economizado quando o assunto era agradar Victória.
Especialmente com joias.
Seja em feriados, aniversários de namoro ou aniversários dela, se ela quisesse, não havia ocasião em que ele deixasse de comprar.
Só do que ele se lembrava, havia, no mínimo, broches, brincos, pulseiras, colares, sem contar peças exclusivas arrematadas por fortunas em leilões.
No entanto, na penteadeira que Victória jogara no chão, restavam apenas uns poucos pingentes e alguns anéis.
Isso despertou de imediato uma suspeita no coração de Palmiro.
Ele a princípio só havia notado que muitas joias estavam faltando e havia perguntado de forma casual. Porém, a reação de Victória fora exagerada: ela começou a ofendê-lo, abrindo a boca apenas para cuspir reclamações sobre o quanto de dinheiro ele havia gasto com Deise todos aqueles anos.
Palmiro também não mediu as palavras, e a briga entre os dois tomou proporções descontroladas.
Beatriz chorava de cortar o coração ali do lado.
No fim, Palmiro bateu a porta e foi embora.
O Maybach preto estava parado na beira da estrada, imóvel.
Palmiro estava sentado no carro, e a sua mente quente começava aos poucos a esfriar.
As joias desaparecidas e a reação extremada de Victória o faziam sentir, cada vez mais, que havia algo muito errado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciei-Me e Casei com o Homem Mais Rico