Seria possível...
Victória Marques estaria sustentando outro homem às escondidas com as joias que ele havia lhe comprado?!
Palmiro Marques nem sabia como, mas essa possibilidade sórdida havia invadido sua mente.
Antigamente, ele achava que apenas Deise Paiva seria capaz de algo do tipo.
Afinal, Deise vivia enfiada nas casas noturnas de Susana Guerra.
Quem diria que a verdadeira traidora seria Victória?
Palmiro abaixou a cabeça, que latejava de dor, e a apoiou no volante.
Não...
Não podia ser verdade...
Sua Victória não era assim...
A mente de Palmiro estava um caos completo, assim como o seu coração.
A voz que tocou sua alma no momento de vida ou morte, quando foi envenenado por uma cobra, ainda permanecia nítida em sua memória até os dias de hoje.
— Ainda bem que você me encontrou. Fique tranquilo, você não vai morrer.
Embora hoje aquela voz já estivesse turva em sua mente.
A ponto de, ao relembrar, sequer parecer a voz de Victória.
Contudo, a sensação de salvação que aquela voz lhe trouxe na época era algo que ele nunca esqueceria.
Foi aquela voz que, em um instante, dissipou o terror enraizado nas profundezas do seu ser e a agonia do veneno percorrendo o seu corpo.
Ele queria saber...
Quem era ela?
Ele queria abrir os olhos e ver...
Quem era ela?
Por isso, ao recobrar a consciência e ver Victória ajoelhada no chão, sugando o veneno, ele sentiu que seu coração iria saltar pela boca!
Que motivo teria para não amar uma mulher bondosa, linda e que salvou sua vida em um momento tão crítico?
Sentado no carro, Palmiro tentava desesperadamente resgatar o motivo pelo qual se apaixonara por Victória.
Ele queria focar nas qualidades de Victória para acalmar seu estado de espírito caótico.
— Victória não faria isso comigo...
Murmurou Palmiro para si mesmo.
Usar as joias que ele comprou para sustentar outro homem...
Victória não faria isso.
Beatriz havia chorado até se cansar e adormecera deitada no chão.
Victória não deu a mínima para Beatriz.
Naquele momento, ela não tinha tempo nem disposição para se importar com a criança.
Ela não sabia até que ponto chegavam as suspeitas de Palmiro.
Porém, sobre as joias que faltavam, ela realmente não tinha como se explicar a ele.
O celular em sua mão vibrou novamente, e Victória lançou um olhar gélido para a tela.
Era o WhatsApp outra vez.
— Por que o dinheiro ainda não caiu na conta?
— Que dinheiro? Por que eu transferiria alguma coisa? Deise nem sequer morreu!
— Eu te arrumei homens e recursos. Se ela não morreu, é porque teve sorte, e você teve azar. O que eu tenho a ver com isso?
— Nós combinamos o pagamento após o serviço ser feito. Como nada deu certo, é óbvio que eu não vou te mandar dinheiro!
A conversa anterior havia parado por aí, e levou um longo tempo até que a outra parte respondesse:
— Certo, já que você não tem palavra, não me culpe quando eu jogar os seus segredos sujos no ventilador!
Victória já sabia que usariam aquele assunto para chantageá-la. Fervendo de raiva, arremessou o celular violentamente no chão.

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