Mas agora...
— Não... Deise, você não pode morrer... Você não pode morrer!
Eu preciso de você!
A voz de Palmiro até embargou, soando como um lamento, e ele correu instintivamente em direção à passarela.
No entanto, parou após dar apenas alguns passos, voltando cabisbaixo e derrotado para onde estava antes.
Naquele momento, ele não podia fazer nada além de esperar de braços cruzados.
E confiar nos bombeiros.
Ao seu lado, Leandro segurava Mariana com força, mas a menina já havia adormecido encostada em seu ombro.
Em horas como essa, Leandro sentia inveja da capacidade das crianças de dormir.
Seu coração continuava batendo inquieto, e com o passar do tempo, essa aflição só se intensificava.
Ele tinha muito medo...
Medo de que o seu maior temor se tornasse realidade.
E ele se sentia completamente impotente.
Leandro fechou os olhos com força, torcendo a expressão.
Tinha sido ele quem convidara Deise para aquela festa de aniversário no cruzeiro.
Se algo de ruim realmente acontecesse com Deise, ele se culparia pelo resto da vida.
Leandro estava sofrendo um tormento interno.
Quando ele abriu os olhos novamente, William irrompeu de forma abrupta em seu campo de visão.
Palmiro e Victória também viram a mesma cena ao mesmo tempo...
No alto da passarela.
William carregava Deise nos braços enquanto descia correndo a passos largos.
Suas luvas outrora brancas como a neve já estavam enegrecidas pela fumaça, seu rosto liso coberto de fuligem e o caro terno feito sob medida estava repleto de marcas de queimado.
Aquela era a primeira vez que William aparecia diante de todos em um estado tão deplorável.
Mas Deise, segura nos braços dele, estava completamente ilesa.
Os olhos de Victória se arregalaram.
Deise não estava morta!
Ela não havia sido queimada até a morte!
Ela foi resgatada!
A visão de Victória escureceu e ela sentiu que estava prestes a desmaiar...
No sonho, ela se via repetidamente em um quarto trancado de onde não conseguia escapar, com chamas inextinguíveis e um corpo paralisado.
Ela sentia desespero, impotência, uma dor imensa...
E, por fim, desolação.
Mas todas as vezes, ela era salva no último instante.
Porque sempre havia alguém para salvá-la.
Alguém que atravessava o mar de chamas ardentes só para estar ao seu lado.
Os raios de sol dançavam em suas pálpebras. Deise lutou para abrir os olhos e viu o quarto do hospital lotado.
Algumas pessoas seguravam microfones de lapela, outras erguiam câmeras pesadas, e algumas pareciam criadores de conteúdo, grudados em seus celulares fazendo transmissões ao vivo.
Por um momento, Deise não entendeu nada do que estava acontecendo.
Ela franziu a testa, sentindo um profundo incômodo.
Ela era uma paciente se recuperando.
Não era uma celebridade cancelada ou um criminoso nos assuntos do momento.
O que aquela multidão de repórteres, fotógrafos e influenciadores estava fazendo abarrotada no seu quarto querendo uma manchete exclusiva?
— Sra. Marques, a senhora acordou? O resgate do Diretor Marques à própria esposa no incêndio explodiu na internet, é o assunto número um nas redes. O que a senhora tem a dizer sobre isso?

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