— Will...
Deise desmaiou.
...iam?
Do lado de fora do cruzeiro.
Na margem.
Palmiro, Leandro e os outros esperavam angustiados.
Estavam na ponta dos pés, ansiosos para ver a equipe de resgate tirar Deise do meio do incêndio.
Mais atrás, Victória segurava a mão de Beatriz, com as palmas suadas.
Ela também estava nervosa.
Assim como Palmiro e Leandro.
No entanto, a diferença entre ela, Palmiro e Leandro era que...
Eles estavam nervosos para saber se Deise seria resgatada e escaparia com vida.
E ela estava nervosa torcendo para que Deise morresse de vez.
Originalmente, ela não deveria ter chegado a esse ponto.
Deise sequer merecia que ela se desse a tanto trabalho.
Durante todos esses anos, aos olhos de Victória, Deise não passava de um escudo.
Um escudo que Palmiro usava para enganar Gregory e Luciana Amaral.
Afinal, Deise era filha biológica de Rafael Paiva e a futura herdeira da Família Paiva.
No passado, mesmo tendo salvado a vida de Palmiro e feito juras de amor eterno com ele, ela fora cruelmente separada de Palmiro por Gregory.
De um casal apaixonado, eles foram reduzidos a irmãos sem laços de sangue.
Como se não bastasse, ela ainda fora obrigada a se casar com o melhor amigo de Palmiro.
O que Palmiro sentia por ela sempre havia sido piedade, carinho e um senso de dívida.
Ela nunca duvidou desses sentimentos sinceros e exclusivos que ele tinha por ela.
Caso contrário, Palmiro não teria passado quatro anos casado com Deise sem sequer tocá-la uma única vez.
Victória acreditava que, ao trazer Beatriz para a Cidade Nova, morando na casa de Palmiro e até compartilhando um mesmo registro na identidade, seriam como uma verdadeira família de três. Assim, Palmiro não demoraria a ceder e acabaria pedindo o divórcio a Deise.
Mas, no final...
Se ela não podia ter o que queria, que direito Deise tinha de possuir aquilo?!
Victória observou a confusão no navio enquanto as pessoas lutavam para realizar o resgate, e um sorriso gélido surgiu no canto de seus lábios.
Que Deise queimasse até a morte naquele mar de chamas, para que os mortos não contassem histórias!
De qualquer forma, a vida dela era um fardo para todos.
Palmiro andava de um lado para o outro como uma barata tonta, com o coração na boca.
— Por favor, que não tenha acontecido nada! Que não tenha acontecido nada!
Se Deise morresse agora, o que seria da sua empresa? O que seria da Família Marques?
E ele...
O que seria dele?
De repente, Palmiro entrou em pânico.
Ele nunca imaginou que a ideia de perder Deise o deixaria tão apavorado.
Antes, ele via Deise apenas como um escudo com o título de esposa, uma fachada, uma mera ferramenta.

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