Um homem e uma mulher sozinhos num quarto, mesmo sendo em um quarto de hospital, era difícil não pensar besteira.
Pelo menos Palmiro não tinha a mente tão aberta assim.
Se William fosse apenas um garoto de programa, até seria aceitável.
Como Gregory Marques já o havia aconselhado uma vez, afinal Deise era uma jovem de família rica antes de se casar. Mesmo que ela tivesse se divertido com alguns acompanhantes, não era grande coisa.
Afinal, para esses rapazes, vender a imagem e fazer as clientes felizes era o trabalho deles.
No entanto...
William não era um garoto de programa.
Então ele era como Leandro, usando o trabalho como desculpa para ser o amante.
Como homem, Palmiro jamais permitiria que sua esposa o traísse abertamente.
Se Deise e William realmente tivessem passado a noite juntos no quarto do hospital, mesmo que não tivesse acontecido nada, seria difícil para Palmiro acreditar na inocência dela.
Mas pelo visto, Deise ainda tinha senso de decência, sabia o seu lugar e entendia que, como uma mulher casada, não deveria passar a noite sozinha com outro homem num mesmo quarto.
Deise não fazia ideia de todos esses pensamentos maliciosos de Palmiro.
Ela via que ele estava de bom humor, mas apenas achava que era por causa da alta de Victória e Beatriz.
Ela não estava interessada em pensar em outras razões, tampouco isso era da sua conta.
Na noite anterior, ela e William ficaram no mesmo quarto do hospital.
Como eles já moravam sob o mesmo teto, compartilhar o quarto do hospital não deixou nenhum dos dois desconfortável.
Pelo contrário, ambos estavam muito acostumados e agiam com naturalidade.
O quarto tinha apenas uma cama.
William deixou Deise dormir na cama e ficou com a cama dobrável.
Os dois simplesmente improvisaram durante a noite.
Na verdade, não havia necessidade nenhuma de William se sujeitar a esse desconforto no hospital.
Deise sabia perfeitamente bem que William fez isso por ela.
Foi porque ele gostava dela, então ele fez companhia.
Somente de manhã, quando alguém ligou para William, é que ele teve que sair.
Inicialmente, Palmiro queria levar Deise, Beatriz e Victória para sair e comer para comemorar, mas Victória disse que não estava se sentindo bem e queria ir para casa descansar.
— A Victória e a Beatriz acabaram de se recuperar e devem descansar bem. Por que você não as leva para casa?
— E você?
Palmiro perguntou imediatamente a Deise.
Até deixar Victória e Beatriz em casa, Palmiro continuava distraído e com a cabeça nas nuvens.
Victória sabia muito bem que Palmiro estava pensando em Deise.
Ele queria ir para a empresa procurar por ela.
— Eu e a Beatriz já estamos bem. Queremos dormir um pouco em casa, é melhor você ir para a empresa.
Assim que Victória terminou de falar, Beatriz quis protestar, mas foi contida pelo olhar de Victória.
Ao ouvir as palavras de Victória, o rosto inteiro de Palmiro se iluminou.
— Então durmam bem. Eu não vou incomodá-las. Vou dar um pulo na empresa e volto logo. Me liguem se precisarem de algo.
Dito isso, Palmiro pegou as chaves do carro e saiu pela porta.
Com um estrondo, a porta se fechou.
Com uma expressão magoada, Beatriz perguntou a Victória:
— Mamãe, por que você mandou o papai ir embora? Eu queria que ele ficasse comigo...
Naquele momento, Victória já havia tirado a máscara de falso sorriso do rosto. Ela segurou a mãozinha de Beatriz e disse seriamente:
— Porque a mamãe tem algo a dizer só para você.

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