Quando Palmiro voltou ao Hospital Regional 7 acompanhado de Victória, Beatriz já havia recebido alta.
As duas que vinham caminhando em sua direção de mãos dadas pareciam uma dupla de mãe e filha amorosas —
Pelo menos era assim que parecia aos olhos de Palmiro.
Deise não demonstrou surpresa ao ver Palmiro e Victória lado a lado, não havia um pingo de ciúme em seu rosto, pelo contrário, ela abriu um sorriso gentil.
— Victória, que bom que você está bem.
— Você adoraria que eu não estivesse, não é?
A resposta de Victória foi afiada demais, cheia de segundas intenções. Palmiro não pôde deixar de pigarrear.
— A sua cunhada só está preocupada com você.
Ao ouvir Palmiro enfatizar a palavra cunhada, Victória mordeu o lábio inferior com força.
Sim, Deise era a esposa de Palmiro, e ela era a irmã dele.
Portanto, Deise sempre seria sua cunhada.
Sempre estaria um degrau acima na hierarquia familiar!
— É verdade, mamãe. Não fale assim da tia. A tia até comprou um pirulito para mim!
Beatriz virou a cabeça, olhou para Deise e deu um sorriso doce.
Embora Beatriz fosse mais madura e calculista em comparação com outras crianças da mesma idade.
No fundo, ela ainda era uma criança.
Assim que abriu os olhos, ela só viu Deise sentada ao lado de sua cama.
O pai e a mãe dela não estavam lá.
A fragilidade emocional após se recuperar de uma doença grave fez com que Beatriz se apegasse a Deise e sentisse muita gratidão por ela.
Ao soltar a mão de Deise para segurar a de Victória, Beatriz ainda demonstrou certa relutância.
— Humpf, você acha que ela te comprou um pirulito porque quer o seu bem?
Victória puxou Beatriz abruptamente para o seu lado.
— A mamãe já não te disse que comer muito doce dá cárie e que a dor de dente é insuportável?
Beatriz ficou pasma.
— Mesmo que você não se lembre do que a mamãe disse, você deveria se lembrar do que a professora da creche ensinou, não é? E então, você ainda acha a sua tia boazinha? Ela está claramente tentando te fazer mal!
A convicção nas palavras de Victória deixou Beatriz confusa por um momento.
Ela olhou para Victória, depois para Deise, e por fim olhou para Palmiro, como se pedisse socorro.
— A Deise só queria agradar a Beatriz, não fez por mal. Victória, não precisava falar tão rudemente.
Enquanto Palmiro tentava justificar a atitude de Deise, ela tirou uma embalagem de dentro da bolsa.
— O pirulito que eu comprei para a Beatriz não faz mal aos dentes. Eu guardei a embalagem de propósito porque sabia que vocês poderiam entender errado.
Já que Palmiro havia passado a noite inteira ao lado dela no hospital, agora que ela havia acordado, ele não deveria estar tomado por uma surpresa e gratidão imensas por tê-la de volta?
Mas por quê?
Por que Palmiro agora só tinha olhos para Deise?
E ainda estava, de forma intencional ou não, ajudando Deise a ganhar pontos com Beatriz.
Victória sentia-se cada vez mais incomodada.
A angústia em seu peito parecia um buraco negro que não podia ser preenchido.
— É uma ocasião especial, já que a Beatriz e a Victória receberam alta juntas. Vamos procurar um lugar para comer e comemorar!
Palmiro propôs por iniciativa própria.
Ele estava de muito bom humor agora.
Não apenas porque Beatriz e Victória haviam recebido alta.
Mas principalmente porque Deise estava acompanhada apenas de Beatriz.
Sem William.
No caminho de volta ao Hospital Regional 7, Palmiro na verdade estava muito tenso.
Ele tinha muito medo de que, ao retornar, visse William ainda fazendo companhia a Deise.
Se isso acontecesse, significaria que William havia passado a noite toda com ela.

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