O questionamento de Palmiro exalava um forte odor de ciúme.
Se fosse a velha Deise, ela certamente começaria a fantasiar sobre o quanto Palmiro a amava.
Mas agora, Deise achava tudo aquilo apenas ridículo.
— Não vou te contar.
Deise o provocou deliberadamente.
Por um lado, não queria envolver William naquilo.
Por outro, adorava ver a expressão de Victória escurecer de raiva diante dos ciúmes de Palmiro.
— Cunhada, você não acha que está passando dos limites? Tem a coragem de colocar chifres no meu irmão bem na frente dele?
Diante da acusação, Deise fez um gesto desdenhoso com a mão.
— Receber um presente de um homem agora é sinônimo de colocar chifres? Sendo assim, Victória, quando o Vivian Soares ainda estava vivo, você deve ter colocado muitos chifres nele, não é? Afinal, naquela época o Palmiro te dava vários presentes.
— Você!
Victória fuzilou Deise com os olhos, mas não encontrou palavras para rebatê-la.
Palmiro também exibiu uma expressão de constrangimento.
— Chega, chega, não vamos mais falar sobre isso... Deise, você realmente gostou deste vestido?
— Gostei, sim!
A verdade é que Deise não havia gostado tanto assim.
Mas ela desgostava ainda mais da ideia de deixar Victória ter o que queria.
— Tudo bem, então eu vou comprar este vestido e dar de presente para você.
Assim que as palavras saíram da boca de Palmiro, Victória protestou imediatamente:
— Irmão! Fui eu quem vi esse vestido primeiro!
— Para de tentar disputar tudo com a sua cunhada!
Palmiro gritou com Victória, sem nenhuma paciência.
Victória ficou atônita!
O que estava acontecendo com ele? Teria sido possuído? Por que estava sendo tão agressivo com ela, enquanto fazia todas as vontades de Deise?
— Eu não me importo! Eu faço questão deste vestido!
Apesar dos protestos de Victória, o único exemplar do vestido acabou sendo comprado por Palmiro.
— Deise, isso é para você.
Palmiro estendeu a sacola com o vestido embrulhado para ela.
— Fui eu quem te deu.
Ele deu uma ênfase especial na palavra "eu".
Ficava evidente que o fato de William ter comprado o conjunto roxo o havia atingido em cheio, e era por isso que ele precisava, de qualquer maneira, presenteá-la com aquele vestido.
— Olha só o susto que você me deu.
Susana deu um sorriso amarelo.
— Eu não queria te assustar, estou falando sério! Pelo comportamento do Palmiro hoje à noite, não me parece que ele vá se divorciar de você para casar com a irmã adotiva... Você tem certeza de que essa tal de Beatriz é mesmo filha ilegítima dos dois?
Ouvindo a pergunta da amiga, Deise usou uma delicada colherzinha de metal para mexer lentamente o seu sundae colorido.
— É exatamente porque ele não quer se divorciar de mim que precisarei tomar medidas extremas. E quanto à Beatriz...
Susana notou uma sutil mudança no olhar de Deise, que indicava que ela estava perfeitamente preparada para o que estava por vir.
Nesse instante, o WhatsApp emitiu um som. Era uma mensagem que Deise havia acabado de enviar para ela.
Era uma foto.
Ao abrir a imagem, Susana arregalou os olhos diante das palavras nítidas exibidas na tela.
— Caramba, você realmente preparou tudo nos mínimos detalhes. Quando chegar a hora, aquele casal de canalhas que se prepare para a ruína!
Deise sorriu docemente.
— E eu achei que você queria que eu perdoasse o Palmiro!
— De jeito nenhum!
Susana balançou a cabeça freneticamente.
— Eu só fiquei com medo de você fraquejar... Afinal, vocês cresceram juntos, e vendo o ciúme que ele sentiu no shopping, não pareceu ser fingimento...

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