Como o esperado, a sua bochecha, que já estava avermelhada e quente, rapidamente inchou.
Verônica sibilou de dor, trincou os dentes e se conteve, forçando algumas lágrimas nos olhos antes de se virar rumo ao restaurante.
Seus gestos consecutivos deixaram os recepcionistas da entrada atônitos.
Dentro do camarote privativo, Zélia Macedo, que conversava com Gustavo, fitou sua filha entrando com as mãos em sua face com surpresa e preocupação.
— Verônica, o que houve com o seu rosto?
Verônica balbuciou, hesitante:
— Eu... eu esbarrei contra a parede, acertei de mau jeito...
— Bobagem. Quem bate na parede de cara? Deixe de mentiras, me diga a verdade!
Gustavo sentiu uma leve intuição em seu coração, mas não queria crer naquilo.
Nina, ela não era daquele tipo de pessoa.
Mas isso era antes. A Nina de agora, ocasionalmente nem ele conseguia ler.
Diante da insistência exaustiva de Zélia, Verônica finalmente resolveu despejar tudo com relutância.
— Vi a Srta. Almeida agora a pouco no restaurante. Tive medo de que houvesse um mal-entendido, então saí para ir atrás e me explicar com ela, só que nunca imaginei que ela pudesse...
Ela fitou Gustavo com aquele seu visual digno de piedade e atraiu toda a culpa para si.
— Gustavo, tudo isso é culpa minha. Não devia tê-lo chamado para jantar hoje, só assim a Srta. Almeida não tiraria conclusões erradas.
Gustavo exibiu uma expressão culpada.
— Verônica, Dona Zélia, a culpa de tudo isso foi da Nina. É ela que não sabe a diferença entre certo e errado, por isso peço perdão à Verônica no lugar de Nina.
Zélia ficou furiosa.
— Senhor Mendes, a sua esposa extrapolou de verdade. O rosto de Verônica ficou desse jeito, será que uma só desculpa é suficiente para lidar com a situação?
— É ser displicente demais e passar por cima dos limites com a garota!
— Antigamente, ela ficava sozinha e sem respaldo algum, mas agora ela tem a mim do seu lado. De jeito nenhum permitirei que alguém faça mal a ela!
— Eu vou chamar a polícia e abrir queixa agora mesmo!
Ao dizer aquilo, tanto Verônica quanto Gustavo ficaram chocados.
Temendo que sua mãe de fato fosse contatar a polícia — afinal, seria terrível se pudessem investigar o ocorrido e desvendar o que realmente havia de errado —, Verônica logo apertou a manga da roupa de Zélia.
— Mãe...

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