Nina também tomou um susto.
Mas, em seguida, a situação se esclareceu.
Na verdade, Gustavo estava ali num encontro com Verônica.
Com razão que a expressão dele parecera estranha quando ela o aconselhara a voltar a seus convidados agora há pouco.
Um riso pálido e irônico se formou no canto dos lábios de Nina.
— Gustavo, por que demorou tanto? — Verônica Barros, agindo como se não visse Nina, foi direto ao lado de Gustavo e tentou se apoiar no braço dele.
Gustavo franziu o cenho, desviou-se do contato e olhou para Nina.
— Nina, não me entenda mal. Não estou jantando sozinho com Verônica esta noite. Dona Zélia também está aqui.
O sorriso nos lábios de Verônica congelou.
O mal-entendido que ela gerara de propósito fora destruído diretamente por Gustavo.
Apesar de carregar um ódio profundo por Nina no coração, Verônica continuava a sorrir.
— Srta. Almeida, já que nos encontramos, vamos juntos. Na última vez, no hospital, não tive a oportunidade de apresentá-la à minha mãe.
As últimas palavras saíram num tom quase que de deboche e desafio.
E Nina percebeu a mensagem subliminar.
Ficara óbvio que Verônica tinha conhecimento de que Zélia Macedo era a assassina que atropelara e matara sua mãe.
Os punhos ao lado de seu corpo apertaram e afrouxaram. Os olhos escuros e bem definidos de Nina pousaram fixamente sobre Verônica.
Bastou aquele olhar para Verônica se assustar com o intenso ódio transbordando dele.
Aquele olhar... parecia o de alguém observando o assassino da própria mãe.
Afinal, não fora a mãe de Nina quem havia se atirado na frente do carro de propósito para arrancar dinheiro? Que direito Nina tinha de sentir raiva delas?!
Verônica rangeu os dentes intimamente, erguendo o queixo para Nina com desprezo.
— Nina, venha comer com a gente. — Gustavo reiterou o convite.
— Não será necessário. Não quero atrapalhar o jantar de vocês, Diretor Mendes, Sra. Mendes. — Nina declarou em alto e bom som.
Pessoas que transitavam pelo restaurante escutaram a voz que se elevara repentinamente e instintivamente olharam naquela direção.
Gustavo instantaneamente foi tomado pelo pânico.
Ele virou-se por reflexo.
Ele já havia explicado o assunto para Nina, por que ela ainda estava presa naquilo?
Ao que parecia, ela ainda se importava.
Haveria um evento corporativo de gala na próxima semana, seria a oportunidade perfeita de apresentá-la publicamente como a verdadeira Sra. Mendes.

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