Deslizou o dedo para atender, e uma voz grave e elegante soou.
— Não quer mais o contrato?
Ah, erro seu. Era uma voz que pedia por um soco.
— Fale.
A mão de Nina, que escovava os dentes, parou; ela quase podia imaginar a expressão impaciente do homem do outro lado da linha.
Ela cuspiu a espuma da boca.
— Vou me arrumar e vou para aí. Devo chegar antes do meio-dia.
Do outro lado, o homem deu um riso de escárnio.
— Por que não diz logo que vai chegar antes do fim do mundo?
Nina: ...
Ela cerrou os dentes.
— Por favor, o senhor estará disponível à tarde?
— Ou será que devo esperar por você até o fim do mundo?
— ... A que horas exatamente o Diretor Fontes estará livre?
A última frase saiu quase rosnada por Nina.
A bem da verdade, Francisco Fontes era irritante; se você falasse bem com ele, ele era sarcástico, mas se você explodisse, ele de repente lembrava os bons modos.
— À tarde, tenho um cliente difícil para entreter. À noite, vou me reunir com alguns amigos; pedirei ao Sr. Chagas para buscar você.
Ao terminar, desligou o telefone, não dando a Nina sequer a chance de recusar.
Nina franziu o cenho, a cabeça meio tonta.
Por um momento, pensou: existe algum cliente que Francisco considere difícil?
Será que ninguém lhe avisou que ele próprio é a pessoa mais difícil do mundo?
Depois, ponderou: se ele ia se reunir com amigos, por que mandaria o Sr. Chagas buscar uma estranha como ela?
Deu várias voltas e não chegou a conclusão alguma; por fim, consolou-se pensando que, desde que conseguisse o contrato, o resto não importava.
Após passar o dia digitando códigos no hotel, quando o céu começava a escurecer, Nina recebeu uma ligação do Sr. Chagas.
O Sr. Chagas disse sorridente:
— Srta. Nina, estou a caminho do hotel. Chegarei em cerca de meia hora.
Nina curvou os lábios em um sorriso.
— Obrigada por avisar com antecedência, Sr. Chagas.

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