O carro Bentley logo parou em frente ao hotel que ela havia reservado. Nina abaixou a cabeça, amarrou o casaco preto em volta da própria cintura e empurrou a porta para descer.
Francisco a segurou pelo braço; a escuridão no fundo de seus olhos impossibilitava qualquer leitura.
— Pedi comida para o jantar. Quando entregarem no hotel, lembre-se de ir pegar.
Nina balançou a cabeça em sinal de concordância e saiu do carro em silêncio, esquecendo-se até mesmo de se despedir do Sr. Chagas.
O Sr. Chagas estranhou e olhou para as costas magras e levemente curvadas da garota se afastando, e então, pelo espelho retrovisor, para o rosto sombrio do jovem mestre.
Não se sabe quanto tempo se passou até que o rosto de Francisco, mergulhado na sombra, desviasse o olhar.
— Volte para o Recanto das Esmeraldas.
O Sr. Chagas coçou o nariz.
Eles com certeza brigaram de novo.
Quando Nina passou o cartão para entrar no quarto, Júlia estava saindo do banheiro com uma máscara de cuidados faciais no rosto.
— Caramba, por que você está pálida desse jeito?!
Nina desamarrou o casaco amarrado na cintura e respondeu sem força: — Bebi água gelada, estou com dor de estômago.
Júlia franziu a testa: — Você não toma sempre tanto cuidado? Por que foi beber água gelada...
A voz parou no meio ao ver o casaco preto jogado no chão. Ela arqueou uma sobrancelha: — Peça de grife, hein, e ainda modelo masculino. De quem é?
Nina pegou o pijama e foi para o banheiro tomar banho. Assim que ela ia tirar a roupa, Júlia abriu uma fresta na porta, com uma cara cheia de suspeitas: — Esse casaco é do Francisco?
Nina ainda continuava em silêncio. Percebendo que a situação estava estranha, Júlia fez o gesto de fechar a boca com um zíper: — Não digo mais nada, vá tomar um banho bem quente.
E encostou a porta com todo cuidado.
Meia hora depois, Nina saiu do banheiro enxugando os cabelos molhados.
Júlia deu um suspiro de alívio: — Fiquei com tanto medo de você desmaiar no banheiro que nem ousei olhar para o celular.
Dito isso, enfiou uma pílula branca na boca de Nina: — Tome um ibuprofeno.
Nina engoliu o remédio, franzindo a testa.
Ela mal estava prestes a passar os produtos de cuidados para o rosto quando bateram na porta do quarto.
Júlia foi abrir a porta. Para sua surpresa, era o jantar.
— Nossa, eu conheço esse restaurante de chef particular, é muito famoso. Teve uma vez em que nosso chefe levou uns clientes para jantar lá e ele sentiu a dor no bolso até a alma.

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