Roupas manchadas de sangue com certeza nunca mais ficariam limpas; mesmo que ficassem, Francisco certamente não as iria querer.
Francisco, que já estava com o peito cheio de irritação, ficou ainda mais com a cara fechada ao ouvir isso.
Ele se lembrou repentinamente de como, daquela vez em Marazul, ela também o tratou com essa mesma cerimônia, sem querer sujar os assentos do carro.
Mesmo que estivessem sem se ver há dez anos, havia necessidade de tanta distância assim entre eles?
Quanto mais ele pensava nisso, mais frustrado ficava.
Com o rosto tenso, Francisco a repreendeu: — Você consegue entender o que é mais importante? Sabia da sua situação e ainda bebeu água gelada no almoço.
Não era à toa que ela passara a tarde inteira sem um pingo de energia e com uma péssima aparência.
Então eram cólicas.
Nina se sentiu ainda mais injustiçada, e seus olhos ficaram vermelhos instantaneamente: — Eu disse que não estava com sede, foi você que me obrigou a beber.
— Hah, eu obriguei você a beber? Eu por acaso apertei a sua boca e enfiei goela abaixo?
A voz dele estava fria e afiada, machucando mais que uma lâmina. As lágrimas nos olhos de Nina desceram como uma enxurrada.
Silenciosa, sem fazer um som sequer, como uma mula teimosa.
Francisco não a ouviu retrucar a provocação e virou o rosto para olhar; vendo a garota mordendo os lábios, chorando obstinadamente e recusando-se a dizer uma palavra sequer, o coração dele apertou de uma forma quase dolorosa.
— Pare de morder. — Francisco franziu a testa e mandou ela parar.
Mas Nina estava com os olhos avermelhados, mordendo o lábio inferior com todas as forças, recusando-se a soltar de jeito nenhum.
Logo começou a sair um fio de sangue do lábio. Francisco imediatamente virou-se e apertou as bochechas dela com os dedos: — Proibido morder.
O homem era muito forte, como um alicate. Nina sentiu dor onde ele estava apertando e as mágoas em seu coração chegaram ao limite.
Aproveitando um instante de distração, ela abriu a boca com vontade e mordeu ferozmente a pele entre o polegar e o indicador da mão esquerda do homem.
Naquele momento, ela odiava intensamente o Francisco que estava sempre numa posição superior, despejando sarcasmo e frieza nela por qualquer motivo.
Por isso, ela usou todas as forças do corpo naquela mordida.
— Tsc.
Francisco soltou um sibilo de dor.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Divorciada No Dia Do Meu Casamento