O carimbo vermelho vivo do laboratório chancelava o documento. Sem sombra de dúvida, Augusto era o seu irmão biológico.
Eduarda segurou o papel com as mãos trêmulas e levantou os olhos lentamente para observar o homem à sua frente.
Depois de mais de vinte anos, finalmente encontrara alguém de sua própria família. Não havia palavras para descrever as emoções daquele momento. Sentia como se uma eletricidade muito peculiar tomasse conta de suas veias, tentando acordar as fitas de DNA adormecidas havia tanto tempo.
Augusto parecia não entender o que a deixou tão agitada de repente.
— Sra. Machado... o que aconteceu? Você descobriu que a sua amiga tem parentesco comigo, devia estar feliz por ela. — Ele deu um raro sorriso, tão leve que mal se percebia, mas mostrava como o coração daquele homem austero se enchia de alegria: — E eu, mais ainda.
Eduarda acenou, atordoada. Ela puxou o ar algumas vezes para regular a respiração e os batimentos cardíacos, mas, diante daquele turbilhão de emoções, de nada adiantou; o coração dela disparava e pulava no peito.
Com cuidado, fechou o laudo e colocou o papel de lado. Respirou fundo e voltou a encará-lo.
— Olá, muito prazer. De agora em diante, não se esqueça do meu nome. Eu me chamo Eduarda Barbosa. — Ela estendeu-lhe a mão e, com lágrimas nos olhos e a voz embargada, falou: — A irmã de Augusto Barbosa da família Barbosa. Eduarda Barbosa.
Ele paralisou por um segundo e então pareceu entender algo.
Em tom de dúvida e choque, perguntou com cautela:
— Então era você... você é a minha irmã...
Eduarda sorriu aos poucos e acenou positivamente.
A expressão de Augusto quebrou-se como uma geleira, recebendo todo o calor humano em um milésimo de segundo. Aquele homem já não parecia tão frio e rigoroso.
Ele levou a mão à de Eduarda pela terceira vez naquele dia e a segurou firme.



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