Naquele instante, Eduarda sentiu um aperto no peito; afinal, querendo ou não, aquela era sua mãe no papel.
Ela nem mesmo exigiu saber o que acontecera no passado. Sentia que a verdade devia ser algo terrível e sórdido.
Queria preservar pelo menos uma lembrança boa da mãe de sua infância.
No entanto, as palavras de Teresa mataram de vez qualquer resquício de beleza nessas lembranças.
— Você já sabe... você descobriu tudo. Não deu para esconder, agora você sabe. O que vai ser de nós agora? O que meu Givaldo vai fazer sem você? Acabou o dinheiro, acabou tudo... quem vai sustentar meu filho?...
O olhar de Eduarda ficou frio e endurecido.
Por fim, ela não disse mais nada àquela "mãe". Desligou o telefone e, sem olhar para trás, saiu pela porta da sala de visitas.
Ela ficou parada na saída por um bom tempo e soltou um suspiro longo e quente. Se alguém olhasse com atenção, veria que suas mãos tremiam de leve.
Quando recuperou os sentidos e caminhou de volta para o portão principal da prisão, ela já estava refeita.
Tudo não passava de uma mentira. E talvez fosse melhor assim. Pelo menos não sofreria mais ao pensar na sua família.
Ao sair, viu que o carro ainda estava parado no mesmo lugar, como se não tivesse se movido nem um milímetro. Cícero continuava encostado nele, com a cabeça baixa e um cigarro na boca. Ele parecia desolado, emitindo uma aura de quem não devia ser incomodado.
Ao ouvir os passos, levantou a cabeça. Vendo que Eduarda havia saído, jogou o cigarro no chão, apagou-o com a ponta do sapato e endireitou-se, esperando que ela se aproximasse.
— Falou com sua mãe e seu irmão? Você não parece muito bem — comentou Cícero.
— É. — Eduarda respondeu apenas. — Estou cansada. Vamos.
Cícero deu a volta para abrir a porta para ela e, só depois de prendê-la com o cinto de segurança, voltou para o banco do motorista.



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