Ouvindo aquela frase, Eduarda ficou imediatamente atônita.
Por um instante, ela achou que tivesse ouvido errado.
Eduarda perguntou: — O que você acabou de dizer?
Cícero ajeitou a sua postura perto da porta, arrumou a gola da blusa e aproximou-se em passos silenciosos até a moça.
Ele a observou em meio à penumbra e reafirmou: — Nós poderíamos nos casar de novo, Eduarda. O que me diz?
— Não acho nada bom. A sua proposta é muito bizarra. — Eduarda piscou os seus olhos brilhantes. — Se isso foi uma brincadeira, eu não vejo graça.
— Eu já tinha imaginado que você fosse falar isso.
Cícero deu um sorriso carregado de uma amargura incontestável.
— Como você já sabia da minha resposta, não acha ridículo me perguntar mesmo assim? — Eduarda lançou um olhar espantado sobre o rosto de Cícero.
Ela se perguntava como é que ele havia conseguido pronunciar as palavras "casar de novo".
Isso soava muito estapafúrdio para ela.
A respiração de Cícero encheu-se de pesados suspiros.
— Tudo bem, não vamos falar da parte emocional, focando-nos apenas nos fatos. — O olhar nebuloso de Cícero dissipou-se. — A saúde do vovô piora a cada dia. Eu também já avisei que ele está redigindo o testamento, e a partilha da herança será para todos os membros da família Machado. Seja o que for, todos receberão parte do patrimônio dele. A única questão será a quantidade de bens concedidos.
Cícero acomodou-se em sua cadeira e levantou a cabeça para admirar a encantadora silhueta da mulher que estava à sua frente.
— Por mais que agora nós dois estejamos morando juntos por causa das questões do tio Roberto e que os outros vejam que você também é minha mulher, no aspecto legal, Eduarda, você já não tem nenhum vínculo com a família Machado.
— Se eu trouxe a ideia de nos casarmos de novo foi porque, caso retorne para a nossa família, o vovô também irá incluí-la como uma de suas herdeiras, afinal esses bens também eram seus por direito e eu gostaria de devolvê-los para você.
Ouvindo aquilo, Eduarda ponderou a situação.
O raciocínio de Cícero tinha sentido, pois o bolo permanecia estático, enquanto o indivíduo designado para dividi-lo estava sujeito a ser trocado em qualquer ocasião.



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