E pensar que no mesmo dia ela encontraria, no mesmo lugar, duas pessoas que não desejava ver.
— Eduarda, você voltou, estive o tempo todo te esperando. — Cícero levantou-se.
Eduarda observou os pequenos amassados no terno de Cícero, que só poderiam ter surgido de tanto tempo ali sentado à espera, mas por sorte o tecido era de ótima qualidade, e os amassados logo sumiram.
Eduarda levantou a cabeça e olhou para a pessoa à sua frente: — A Weleska te contou que eu estava aqui? Ela foi fazer fofoca?
Cícero franziu as sobrancelhas: — Foi o Damiano. Ele me contou o que aconteceu entre vocês hoje.
— Entendi. Quer algo comigo? — Eduarda perguntou, sem parar de andar, até chegar à porta do elevador. Damiano foi mais rápido e apertou o botão de subida para eles.
Cícero fez uma pausa e disse: — Só queria ver como está a sua recuperação do machucado. Ainda dói?
Cícero estendeu a mão para tocar-lhe o rosto, mas ela desviou num instante.
— Eu estou bem, vamos manter distância. — Eduarda lançou-lhe um olhar frio de canto, sem nem se dar ao trabalho de virar a cabeça.
A mão de Cícero pairou estranhamente no ar; depois de agarrar um punhado de vazio, ele a encolheu, em silêncio, e fechou-a num punho.
— Se você já está bem, eu a levo para morar na mansão. O Arthur também está sentindo muito a sua falta.
Antes mesmo de Eduarda dizer alguma coisa.
Cícero complementou: — O vovô me procurou uns dias atrás. Ele já entrou em contato com os advogados para discutir a questão do testamento. O tio Roberto vai se movimentar logo. Este é um momento muito sensível e eu me preocupo com você, seria melhor se ficássemos juntos.
Depois de escutar tudo isso, Eduarda apenas concordou com um aceno.
— Espere eu pegar as minhas coisas e vamos.
Ao ouvir a concessão de Eduarda, os cantos da boca de Cícero levantaram-se ligeiramente.
— Tudo bem, eu te espero na porta.
Após saírem do elevador, Cícero seguiu os passos de Eduarda até a porta de seu apartamento.
Assim que desbloqueou a fechadura biométrica, Eduarda abriu a porta sem a menor intenção de convidar Cícero para entrar.
Ela perguntou: — Você não precisa ir lá ver a sua Weleska?
O sorriso que antes pairava no rosto de Cícero congelou na mesma hora.
— Eu não preciso ir à casa da Weleska, ela consegue se virar. Ela não tinha onde ficar, eu só emprestei um apartamento para ela.
Ao escutar aquilo, Eduarda riu.
— Uma jovem herdeira sem onde morar, você ouviu isso e realmente acreditou?
Cícero não tinha aquela sensibilidade feminina, além de não se importar muito com as palavras de Weleska, de modo que nem parara para analisar o assunto.


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