— Mamãe, você está procurando o papai? — Arthur, que já estava vestido, foi para a mesa se sentar para tomar o café da manhã. — O papai foi trabalhar logo cedo, ele mandou dizer para a senhora que hoje teria um assunto muito sério, chamado de licitação, sei lá. Então o papai já foi antes.
Licitação?
Devia ser o tipo de licitação que ela e Elisa haviam perdido após sofrerem a emboscada do sequestro na vez passada.
Evandro disse tratar-se de uma obra de alta relevância no Grupo Machado. Cícero saiu cedo de casa e dirigiu-se aos seus respectivos setores, evidenciando assim a essencialidade do negócio.
Eduarda apenas assentiu com a cabeça, e recomeçou a comer.
Arthur se instalou em frente à cadeira de Eduarda, e lhe interrogou: — Mamãe, a senhora estará ocupada hoje? Eu quero brincar com o Wilmar, e ele me disse que a Dona Elisa fará uma viagem para o exterior, eu queria brincar o dia inteiro com ele, mamãe, a senhora me leva para passear?
Eduarda conferiu as horas. De fato, o dia da viagem da moça ao exterior estava prestes a chegar.
— Levo sim. Coma primeiro e a gente se acerta mais tarde.
— Opa, que maravilha, vou poder ir junto com a mamãe.
Ao sair pela porta da frente, Eduarda recusou os serviços do chofer da casa.
O administrador da casa avançou: — Senhora, seria melhor o motorista deixar você e o jovem mestre lá. As pessoas da mansão foram escolhidas pelo senhor em pessoa. Não haverá erro.
Eduarda porém tomou as chaves do carro num instante: — Esquece, eu vou no meu próprio carro.
— Bora Arthur, sobe no carro.
— Aha, eu já vou, mamãe.
Eduarda afivelou o cinto de segurança no garoto, e com um pontapé no acelerador, impulsionou a chave de arranque.
— Essa é a minha primeira vez rodando no carro com você. Sinto-me um pouco fascinado. — Instalado do lado do passageiro, o pequeno não parava de fitar os movimentos dela.
— Será? Eu nunca cheguei a te levar de carona antes?
Sem olhar para trás e apenas atenta aos carros à sua frente, a mãe não ponderou muito as palavras do garoto.
— Nunca andei com a senhora.
Arthur relembrou uma vez, lá no passado, que ela queria andar com o menino. Mas como era muito pirracento, se recusou categoricamente a dar o braço a torcer para as ideias da mãe.
Foi tudo por causa de seus caprichos de outrora que ele nunca chegou a pegar uma carona com a sua mãe. Fosse de outro modo, hoje já seriam inumeráveis vezes.
— De qualquer forma, de agora em diante eu tenho a opção de passear bastante com a senhora, sua estabilidade nas pistas é muito boa, e a propósito, eu prefiro viajar de carro com você, mamãe.


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