As palavras de Zenilda pareceram quase uma provocação.
— Professora, a senhora está zombando de mim — resmungou Eduarda, fazendo um biquinho charmoso.
Zenilda também riu:
— Não estou zombando, não. Mas acho que você entende o que sente no seu coração. A professora não vai interferir muito nas suas decisões, só te digo uma coisa: você não pode trilhar o mesmo caminho errado duas vezes, senão estará traindo a si mesma.
Eduarda assentiu:
— Eu entendo. Fique tranquila; não vou fazer nenhuma besteira.
— Que bom. Certo, certo, vocês jovens devem ter outros planos para esta noite, a professora não vai prender vocês aqui. Vão passear onde quiserem e aproveitem bem o aniversário.
Depois que Eduarda e Pérola se despediram de Zenilda, no caminho de volta, Pérola sugeriu que fossem a algum lugar para se divertirem.
Eduarda se sentia um pouco cansada e adiou para a próxima vez.
— Na semana que vem, um cantor que você gosta vai voltar ao país e o show dele será perto daquela balada que você quer ir. Nós vamos juntas nessa ocasião.
Pérola ficou muito feliz ao ouvir isso e disse:
— Ah, que maravilha, chefe! Justamente, estou vendo que você está cansada. Vá para casa descansar, pode me deixar perto do shopping ali na frente, vou comprar umas coisas.
Eduarda estacionou o carro e, após se despedir de Pérola, olhou as horas. Já estava quase anoitecendo.
Ela teve um aniversário muito feliz hoje. Foi a primeira vez que tantas pessoas comemoraram seu aniversário assim, e ela sentiu uma satisfação sem precedentes.
A sensação de ser cuidada e amada era realmente muito boa.
Eduarda sentou-se no banco do motorista e ficou olhando para o nada por um bom tempo, enquanto seus pensamentos voltavam para o que Zenilda havia dito há pouco.
Ela tirou a pequena caixa de veludo da bolsa e a abriu novamente. O anel de diamante, simples e elegante, continuava brilhando. Quando a luz refletiu nele, por um instante, ela imaginou o rosto de Franklin, e seu coração se apertou de saudade.
Mesmo após tê-lo machucado falsamente com palavras tão duras, Franklin não apenas não a odiou, mas continuava a guardá-la em seu coração. Cada atitude sua provava a preocupação que sentia por ela.
O coração de Eduarda começou a doer de forma contínua e profunda.
Como podia existir alguém neste mundo disposto a ser tão bom para outra pessoa?
Às vezes, a própria Eduarda se perguntava o que ela tinha de tão especial. Por que Franklin simplesmente não desistia dela? Seria melhor do que vê-lo se recusar a encarar a realidade e ir embora.
Mas, sempre que pensava nisso, lembrava-se do encorajamento que Franklin lhe dera.

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