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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 629

Os olhos de Eduarda marejaram enquanto ela tentava absorver aquela revelação.

Ela sabia do amor dele, mas não fazia ideia de que vinha de tão longe.

Quando teria começado? Eduarda não sabia, e sua memória falhava em buscar a resposta.

Ela perguntou, com a voz embargada:

— Desde quando você se importa tanto comigo... ou melhor, quando foi que nos conhecemos?

Os olhos escuros de Franklin estavam fixos nos olhos dela. Todo o desejo e anseio que ele não conseguia disfarçar transbordaram para o olhar dela.

— Eu te conheci no exato momento em que o Cícero te decepcionou e te encheu de tristeza.

Franklin recordou o dia do primeiro encontro. No quintal da Praia Dourada, da família Machado, sob as copas densas das árvores, Eduarda estava sentada em silêncio. Tão quieta que parecia se fundir com a brisa, como se fosse uma pintura clássica melancólica. Foi aquela tristeza tão palpável, aquela aura de algo despedaçado, que o atraiu para perto.

Naquele instante, ele finalmente admitiu para si mesmo: no passado, ele não se aproximou dela apenas para atingir a família Machado. Ele havia sido genuinamente cativado por ela.

Sempre existe aquela pessoa no mundo que, quando você a encontra, faz com que qualquer paisagem perca o encanto diante dela. Ao cruzarem os caminhos, o mundo dele ganhou novas cores, e sua alma encontrou vitalidade.

Um homem que vivia submerso na escuridão passou a viver sob a luz, tudo por causa da presença dela.

Franklin prosseguiu:

— A primeira vez que te vi foi na Praia Dourada, da família Machado. Na época, você devia ter acabado de pedir o divórcio ao Cícero, seu estado emocional não era dos melhores. Eu tomei a iniciativa de me aproximar, mas você não deu a mínima para mim.

— Depois, eu vi você murchar e desmoronar aos poucos naquele casamento. Comecei a sentir compaixão e, lentamente, meu coração passou a doer por você. Eu pensava: ela é uma pessoa tão incrível, não deveria perder o próprio brilho por causa de um relacionamento fracassado.

— Como... como você pôde perceber?

Talvez fosse a magia e a calmaria daquela madrugada, mas Eduarda sentiu uma vontade desesperada de contar tudo a ele naquele exato segundo.

Queria dizer o quanto ansiava e sentia falta da vida tranquila que tinham no exterior, daqueles dias em que, mesmo com os problemas normais, podiam resolver tudo de mãos dadas.

Queria revelar que, por carregar o peso de tantas obrigações e por conviver com Cícero — por quem não sentia mais nada —, vivia como uma marionete. Seu coração estava frio, sem nenhum pingo de entusiasmo. Ela precisava de um ombro para se apoiar, de alguém com quem pudesse desabafar.

Queria dizer que o seu maior desejo era fazer todos aqueles problemas desaparecerem para devolver a paz a ele.

Contudo, Eduarda conseguiu domar o próprio impulso. O plano que ela e Cícero estavam executando estava prestes a dar frutos. Um deslize ali colocaria tudo a perder, e as consequências seriam imprevisíveis.

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