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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 628

Do outro lado da linha, Cícero disse:

— O Damiano me contou que expuseram você na internet. Onde você está? Vou te buscar para irmos para casa.

Eduarda sentiu uma dor de cabeça súbita. Havia coisas que não queria discutir na frente de Franklin.

Internamente, praguejava contra Cícero por ser tão controlador. Ela era uma mulher adulta, não ia desmoronar por causa de uma bobagem daquelas.

Além disso, as constantes demonstrações de cuidado dele eram, na verdade, um peso desnecessário.

— Eu estou com o carro. Volto sozinha.

Houve um silêncio do outro lado antes de Cícero insistir:

— Eu vou te buscar. Onde você está?

Sem paciência para discutir, e com Franklin bem ao seu lado, Eduarda não queria que Cícero aparecesse e transformasse a situação num caos ainda maior.

Sem dizer mais nenhuma palavra, ela simplesmente desligou a chamada.

Franklin virou-se para encará-la. Quando falou, sua voz soou tão calma quanto a luz da lua refletida num lago.

— O Cícero deve estar preocupado. Já é tarde, talvez seja melhor que ele venha te buscar.

Sem saber como reagir, Eduarda desviou o assunto:

— Eu posso dormir no estúdio hoje, tenho um quarto de descanso lá dentro.

Franklin olhou ao redor, compreendendo a situação:

— Pode ser uma boa ideia. Assim você evita dirigir de madrugada.

Um novo silêncio caiu sobre eles. Um vento frio soprou, fazendo Eduarda estremecer. Ao ver isso, Franklin tirou o próprio casaco de lã e o colocou sobre os ombros dela.

Checando a hora, percebeu que não deveria mais segurá-la ali.

— Agradeça à Sabrina por mim, os doces estavam deliciosos.

O destino dos dois talvez já estivesse selado, sem chances de caminharem juntos no futuro.

Mas Franklin insistiu:

— Talvez você nunca tenha sentido um amor verdadeiro por mim, talvez fosse apenas uma dependência pelo hábito. Mas eu consigo ver que você também não ama o Cícero agora. Eduarda, tem uma coisa que eu não te contei. O Cícero já deve ter falado, mas você esqueceu de muita coisa e entendeu tantas outras errado. O seu cérebro sofreu danos naquele acidente de carro. E eu escondi isso de você desde o primeiro momento. Sabe por quê?

Eduarda balançou a cabeça, apática. Ela nunca tinha visto Franklin daquele jeito.

Ele parecia ter tomado uma decisão definitiva.

— Quando soube que você tinha perdido a memória, meu egoísmo não quis que você se lembrasse. Primeiro porque você já havia me rejeitado no passado, e eu... Eu me apaixonei de verdade por você. Eu queria ter você só para mim.

Os longos cílios de Eduarda tremeram enquanto ela continuava ouvindo as palavras do homem.

Franklin concluiu:

— Eduarda, eu amo você de verdade, e já faz muito tempo.

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