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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 627

— Estou sim, tenho comido muito bem.

Respondeu Eduarda, lembrando-se das refeições na mansão. Ela comia, sim, mas apenas para não passar mal de fraqueza. Nenhuma daquelas refeições lhe dava qualquer prazer.

Nessas condições, era impossível ganhar peso. Pelo contrário, ela só definhava cada vez mais.

Pensando bem, desde que não tinha mais Franklin ao seu lado preparando caldos e pratos sob medida para o seu paladar, ela nunca mais havia sentido aquele conforto de uma boa refeição.

Parecia que, depois de ser tão bem cuidada, ficou difícil se contentar com qualquer outra coisa.

Franklin observou o olhar distante de Eduarda e soube exatamente o que ela estava pensando, mas não quis desmentir a desculpa dela.

— Que bom. — disse Franklin. — Se eu puder ver você feliz, ficarei em paz.

Eduarda permaneceu em silêncio. Era impossível responder àquilo.

Felicidade. Essa palavra parecia estar a anos-luz de distância dela agora.

Franklin foi até o carro, abriu a porta traseira e pegou uma sacola branca de papel. Voltou até Eduarda e a estendeu.

— O endereço que você deixou antes era da minha casa. A Sabrina e as crianças fizeram alguns doces e presentes artesanais e pediram para te entregar. Aproveite a chance e não se esqueça de ligar para os meninos depois.

Diante daquela mão familiar, segurando uma sacola cheia de afeto, Eduarda a pegou lentamente. Abriu para espiar: havia biscoitos com formatos adoráveis e bonequinhos de feltro.

Franklin recolheu a mão, hesitou por um instante e perguntou:

— Você veio dirigindo? Quer que eu te leve para casa?

— Eu vim com meu carro, não precisa se incomodar.

— Certo... Então eu já vou indo. Cuide-se.

Com o coração apertado, Franklin se forçou a virar as costas. Ele não podia mais se permitir o luxo de ansiar por aqueles momentos ao lado dela.

Mas, antes de dar o segundo passo, a voz de Eduarda soou:

— Espere. A Sabrina mandou para nós dois. Vamos provar juntos, não podemos fazer desfeita.

Pareciam não saber o que falar, ambos com medo de quebrar a frágil harmonia que finalmente haviam encontrado.

Mesmo que não pudessem mais se tocar, aquela breve companhia já servia como um consolo profundo para o coração dos dois.

Mas a paz não duraria muito.

O toque alto do celular cortou o silêncio da madrugada. Era o aparelho de Eduarda, e o nome na tela era o de Cícero.

Tanto Franklin quanto Eduarda viram de quem era.

A expressão de Franklin mudou sutilmente, e o sorriso sumiu de seu rosto.

Eduarda, a princípio, não queria atender. O motivo de ter saído para esfriar a cabeça fora justamente para fugir da presença de Cícero e daquela casa.

Contudo, com Franklin ali, ela acabou deslizando o dedo pela tela e atendeu.

— Alô? O que foi? — perguntou ela.

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