— Você não ofendeu a mim.
O dono do restaurante seguiu o olhar dele e encarou Eduarda, que estava logo atrás.
— Mil perdões, Sra. Nogueira. Fui um idiota por ofendê-la. Por favor, peça ao Sr. Nogueira para me perdoar. Todo o dinheiro que tenho está investido neste lugar, eu não posso fechar as portas! Por favor, interceda por mim!
Eduarda estava prestes a falar, mas Franklin empurrou o dono do restaurante, impedindo-o de continuar a incomodá-la.
— Minha decisão está tomada e não vou voltar atrás.
Para Franklin, qualquer coisa poderia ser perdoada, mas quando se tratava de Eduarda, a tolerância era zero.
Sem querer prolongar a situação, Franklin instruiu seu assistente a lidar com o restante dos problemas do restaurante. Ele saiu acompanhado de Eduarda, e Pérola foi logo atrás.
Pérola, sempre muito perspicaz, percebeu que não deveria ficar no meio dos dois e logo se adiantou:
— Eduarda, Franklin, acabei de lembrar que meu namorado me chamou para o cinema. Vou indo nessa, a gente se vê depois.
— Pérola, espera...
Sem deixar Eduarda terminar, Pérola entrou rapidamente em um táxi que estava parado na rua e sumiu de vista.
Em pouco tempo, restaram apenas Eduarda e Franklin.
Sob a luz da lua, nenhum dos dois disse uma palavra. Ficaram ali, parados num silêncio constrangedor. As palavras pairavam na ponta da língua, mas nenhum sabia como começar.
Eduarda abaixou a cabeça e murmurou:
— Muito obrigada por me ajudar hoje...
Franklin deu um sorriso silencioso ao ouvir o agradecimento:
— Não precisa agradecer, o importante é que você está bem.
A voz de Eduarda saiu quase como um sussurro:
E, mesmo assim, ao se encontrarem de novo, ele continuava se preocupando com o bem-estar dela.
Aquilo apertava o coração de Eduarda com um amargor insuportável.
Ela não queria aquele Franklin atencioso e cuidadoso. Preferia ver um homem que, ao reencontrá-la, pudesse simplesmente passar por ela com firmeza, sem se deixar prender por sentimentos do passado.
Ela havia se forçado a ser fria. Se Franklin continuasse a demonstrar tanto carinho, seria impossível não se render à emoção.
Com um sorriso um tanto forçado, tentou soar casual:
— Ele é muito ocupado, é normal que alguns detalhes passem despercebidos. Mas ele se importa muito comigo.
Ao ouvir isso, Franklin sorriu, mas era impossível decifrar o verdadeiro motivo por trás daquele sorriso.
Mudando de assunto, ele perguntou:
— Como você tem passado? Você emagreceu de novo, está se alimentando direito?

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