Já Eduarda, por outro lado, não estava nem aí para o assunto. Satisfez a curiosidade com uma ou duas olhadas rápidas e logo se virou para continuar comendo o que estava em seu prato.
— Aaaaah, mana, olha lá, ele está vindo na nossa direção!
Os gritinhos animados de Pérola chamaram a atenção de Eduarda de volta.
O homem que antes estava na entrada havia parado bem ao lado da mesa delas. Pérola observava atentamente cada movimento seu.
No entanto, o homem estendeu a mão para Eduarda e perguntou:
— Senhorita, me daria a honra de tomar um drink comigo?
Eduarda colocou o talher sobre a mesa, olhou para o mascarado e negou polidamente:
— Agradeço o convite, mas eu não bebo. Sinto muito.
Mesmo após a recusa, o homem não moveu um músculo para se afastar. Manteve a mão estendida, insistindo no convite.
Inconscientemente, Eduarda sentiu uma vibração estranha no ar. Franziu a testa e recusou novamente:
Os olhares dos outros clientes voltaram-se para aquela mesa. Alguns chegaram a pegar o celular para gravar e publicar nas redes sociais.
— Olha isso! O dono bonitão do bar acabou de levar um fora de uma cliente! Meu Deus, como ela consegue recusar um cara desses? Difícil de engolir!
— É verdade! Se fosse eu, já teria aceitado na hora! Dizem que quem já tomou um drink ou dançou com ele fala que ele é super carinhoso. Eu daria tudo por uma chance dessas, e a garota ali jogando fora.
Os comentários maldosos de algumas mulheres em mesas vizinhas chegaram aos ouvidos de Eduarda e Pérola.
Pérola, que momentos antes estava super encantada, perdeu o encanto imediatamente.
— Mas que bando de besteiras estão falando? — Pérola levantou-se num salto. — Minha amiga rejeitou ele, e daí? Ninguém é obrigada a beber com ele!
Pérola não suportava ver Eduarda ser constrangida. Foi logo puxando a mão da amiga.
— Que cara horroroso, enganou todo mundo, credo! Graças a Deus a moça lá não deu trela para ele, senão ia se meter com um monstro. Não consigo nem olhar!
Aquelas mesmas clientes que estavam difamando Eduarda agora mudaram de lado e começaram a defendê-la. Enquanto isso, várias pessoas aproveitaram para tirar fotos e vídeos do homem caído, postando tudo na internet quase em tempo real.
— Notícia de última hora, pessoal: o dono do restaurante famoso não tem nada de galã, é uma fera horrorosa que fica assediando as clientes. Que absurdo!
O restaurante virou um caos em poucos segundos.
Eduarda também havia se assustado com a confusão, mas então sentiu-se acolhida por braços masculinos firmes e protetores.
Ela sentiu o perfume da pessoa ao seu lado. Uma fragrância inconfundível.
Uma voz rouca e segura vibrou contra seu corpo, envolvendo-a com um instinto protetor avassalador:
— Você está bem, Eduarda? Não se machucou, né?

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