A mente de Pérola não estava ali, e ela devolveu o cardápio:
— Pede você, mana. Qualquer coisa está ótima para mim.
Eduarda não fez cerimônia e selecionou mais alguns pratos que pareciam apetitosos.
Durante a refeição, Pérola não parou de observar o ambiente, mas, não vendo nem sinal do tal dono, começou a ficar frustrada.
— Não disseram que ele estaria aqui hoje? Era tudo boato! Que sem graça — reclamou Pérola, fazendo bico.
Eduarda a observou sorrindo:
— Você não tem medo de que o seu namorado fique com ciúmes por estar secando outros homens, minha querida Pérola?
Pérola respondeu:
— Que nada, mana. Ele não liga para essas coisas. E outra, eu só aprecio a beleza alheia. É como dizem, as pessoas gostam de ver coisas bonitas. Mas, se formos falar de amor de verdade, o meu coração é só do meu namorado, e ele me entende perfeitamente.
— Ah, então é isso. Não me admira que a relação de vocês seja tão boa — disse Eduarda com um sorriso. — Por falar nisso, vocês estão juntos há tanto tempo, já pensam em casar?
Pérola balançou a cabeça:
— Ainda não. Nós gostamos de ser livres. Casar geralmente significa ter filhos, e nós não queremos muito isso. Achamos que estar juntos e felizes é o mais importante. Se vamos querer casar no futuro, não sei dizer, a gente pensa nisso depois. E, para ser sincera, eu tenho um pouco de medo de casar. Vai que ele me trai e arruma umas amantes por aí? Eu morreria de raiva.
Assim que disse isso, Pérola percebeu que havia falado demais, sem pensar, e que aquilo poderia tocar em uma ferida de Eduarda.
— Desculpe, mana. Não estava falando de você, foi só um jeito de falar.
Eduarda balançou a cabeça:
— Não se preocupe, eu não ligo para isso. Relaxe.
Pérola suspirou aliviada, inclinou-se um pouco e sussurrou:
— Mana, posso te perguntar o verdadeiro motivo de você ter voltado para a família Machado? Eu não acredito que você terminaria com o Franklin do nada. O que realmente aconteceu?
Eduarda ficou surpresa:
— Você também acha que há algo por trás disso?
— Talvez seja o destino. Coisas que já estavam escritas.
Pérola acenou com as mãos:
— Tá bem, tá bem, vamos parar com esse assunto triste. Coma mais um pouco, mana. Você quase não comeu nada. É por isso que não engorda. Estar magra demais também não faz bem!
— Certo, coma você também.
Eduarda passou um pouco de comida para o prato de Pérola. Nesse momento, uma pequena comoção se formou na entrada do restaurante, e ela viu os olhos de Pérola brilharem intensamente.
— Uau! Que lindo! Pera aí... por que ele está usando uma máscara?
Depois de focar a visão, Pérola ficou meio desapontada e apontou para que Eduarda também visse.
Eduarda virou-se em direção à porta e viu um homem alto e esguio. Apenas pelo porte físico, já não restavam dúvidas de que era atraente, mas ele usava uma máscara no rosto. Aliado à iluminação um tanto obscura do ambiente, tornava-se impossível discernir suas feições.
— Será que esse é o dono do lugar? Com razão não há nenhuma foto do rosto dele na internet. Ele anda escondido!
Pérola sentia-se um pouco frustrada, mas não deixava de varrer o homem de cima a baixo com um olhar bastante indelicado.

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