Cícero não disse muito, apenas lhe deu uma resposta:
— Fique tranquilo, Sr. Castro. Não importa o que aconteça, eu garanto que Elisa e Wilmar ficarão a salvo. Vou mandar alguém cuidar disso.
Cícero resumiu os acontecimentos para Eduarda, que apenas assentiu com a cabeça.
— Vou arranjar um tempo para conversar com a Elisa também, para que ela e o Wilmar tomem cuidado. Quanto ao resto, deixo em suas mãos.
Cícero respondeu:
— Fique tranquila.
Eduarda soltou um longo suspiro. Pensava que, se aquilo desse certo, seu desejo finalmente estaria realizado.
Sem a bomba-relógio que era Roberto, tanto a família Nogueira quanto qualquer outra família ou grupo que ele estivesse ameaçando poderiam finalmente respirar em paz.
Cícero pareceu ler seus pensamentos.
— Depois que tudo isso acabar, há algo que você queira fazer?
Eduarda estreitou os olhos por um momento, realmente ponderando sobre a pergunta.
— Ainda não decidi. Acho que pensarei em algo quando a hora chegar — respondeu ela, com a voz suave.
Cícero hesitou um pouco antes de dizer:
— Quando esse momento chegar, não importa o que queira fazer, eu posso acompanhá-la.
Eduarda lançou-lhe um olhar.
Se esse dia realmente chegasse, a última coisa que ela iria querer era continuar ao lado de Cícero. Como poderia permitir que ele a acompanhasse?
Talvez, quando esse dia chegasse, ela quisesse apenas encontrar um lugar tranquilo para esvaziar a mente e pensar sobre o que realmente desejava e poderia ter em seu futuro.
Sem a intenção de prolongar a conversa com Cícero, Eduarda começou a descer as escadas.
Desta vez, ela não foi em direção à sala de jantar, mas procurou o administrador da casa para pedir a chave do seu carro.
— A senhora vai a algum lugar? Já está escuro lá fora, posso pedir para o motorista levá-la.
Eduarda respondeu:
— Tudo bem. Eu vou para o estúdio agora, ou onde quer que você esteja. Passo aí para te pegar.
Pérola ficou felicíssima e disse que também iria de carro, combinando de se encontrarem no estúdio.
Eduarda desligou a chamada, fez um retorno e seguiu em direção a Nova Aurora.
Quando as duas se encontraram, Pérola agarrou o braço de Eduarda com entusiasmo, tagarelando graciosamente ao seu lado. A empolgação de Pérola contagiou Eduarda, e logo as duas estavam engajadas em uma conversa animada.
Foi só quando Pérola a levou para dentro do estabelecimento que Eduarda percebeu tratar-se de um bar e restaurante famoso nas redes sociais. Aquele horário já estava lotado; alguns estavam ali apenas para jantar e tirar fotos para o Instagram na área externa, enquanto outros vinham pela área do bar noturno para assistir à dança sensual de rapazes musculosos.
— Gostou? Que vibe incrível, não acha? Esse lugar é o máximo em Porto de Safira. Dizem que o dono é um gato, mas não tem fotos dele, então ninguém sabe como ele é.
Eduarda deu um sorriso resignado:
— Eu sabia que você não tinha vindo aqui só para comer.
— Ah, mana, não me julga! Gostar de homens bonitos é humano, vai? Fiquei sabendo que o dono está aqui hoje. Como as coisas estão calmas ultimamente, resolvi vir dar uma olhada.
Eduarda sorriu. Ao se sentar, pegou o cardápio com o garçom e deu uma olhada, escolhendo alguns pratos principais antes de passar o menu para que Pérola continuasse os pedidos.

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