Eduarda sempre mantinha aquela postura fria e distante em relação a ele. Isso acontecia há tanto tempo que Cícero nem conseguia se lembrar quando havia começado, e a sensação de ter a versão gentil de Eduarda ao seu lado estava se apagando de sua memória.
Cícero deu um sorriso amargo e, quando falou, sua voz saiu consideravelmente rouca.
— Eduarda, não tente me convencer do contrário. Eu não vou desistir de você tão fácil. Não importa o que você diga, meus sentimentos não mudam.
Ela não conseguia entender o porquê de tanta obstinação. Eduarda abaixou a cabeça e a balançou em negação.
— Se não tem mais nada a dizer, vou indo.
Dizendo isso, Eduarda desviou de Cícero e começou a descer as escadas. Ela só havia saído do quarto porque queria beber um pouco de água, já que a jarra do seu quarto estava vazia.
Cícero a impediu, dizendo:
— Eu tenho outro assunto para tratar: é sobre o tio Roberto.
Eduarda parou e olhou para ele por cima do ombro:
— Fale.
— Fui conversar com o Evandro de novo e, quando mencionei aquele funcionário do departamento, a expressão dele mudou visivelmente.
Depois de deixar Eduarda em casa, Cícero dirigiu novamente até a residência de Evandro. Ao encontrá-lo, foi direto ao ponto, discutindo os prós e os contras da situação.
— Sr. Castro, eu acredito que o senhor saiba dos bastidores desse assunto. Antes, talvez apenas vocês soubessem, mas agora não é mais bem assim. Se realmente houver uma morte no meio disso tudo, não será algo que se possa resolver facilmente com dinheiro.
Evandro, sabendo que não podia mais esconder as coisas de Cícero, também não queria se envolver mais do que já estava.
— Cícero, eu já me demiti do grupo, e isso foi antes mesmo de assinar o contrato. Eu nunca vi esse tal funcionário, então não tenho nada a ver com isso.
A voz de Evandro soou um pouco trêmula, e essa hesitação foi exatamente o que Cícero capturou, tornando-se instantaneamente o ponto fraco de Evandro.
Cícero deu um sorriso contido:
Após dizer isso, Cícero esperou em silêncio pela resposta de Evandro.
Evandro, dessa vez, abandonou sua habitual postura evasiva e questionou:
— Mas como posso ter certeza de que você não vai me trair como o seu tio Roberto faria? Você também pode me usar e depois me jogar fora.
Cícero não se apressou em rebater. Falou com calma e clareza:
— Não posso prometer garantias absolutas sobre tudo, mas o senhor conhece o meu jeito de agir. Entre mim e o tio Roberto, o senhor sabe muito bem quem é o verdadeiro monstro aqui, não é?
Evandro prendeu a respiração. Pensou por um longo tempo, e Cícero continuou sentado ali, fazendo-lhe companhia em silêncio.
Até que a xícara de café sobre a mesa esfriasse por completo, Evandro finalmente tomou sua decisão.
— Tudo bem, vou confiar em você desta vez. Eu não quero dinheiro. Só quero a segurança da minha esposa, do meu filho e a paz da minha família.

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