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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 620

Depois de fechar a porta devagar, Cícero pensou um pouco e foi até o quarto de Eduarda, batendo na porta.

— Já dormiu, Eduarda? Preciso conversar com você.

Por um bom tempo, ninguém respondeu. Ele bateu mais duas vezes e repetiu a pergunta.

Parecia que Eduarda não tinha a menor intenção de lhe dar atenção, mas Cícero não desistiu. Ficou do lado de fora e disse através da porta fechada:

— O Arthur não fez isso de propósito hoje; ele está com febre. Crianças não sabem diferenciar se estão irritadas por doença ou só de mau humor, elas só ficam manhosas. Não culpe o Arthur.

Lembrando-se das coisas que Arthur havia dito, Cícero sentiu-se inquieto.

— E também não leve a sério as coisas que o Arthur disse, ele apenas...

— Ele apenas o quê?

A porta se abriu bruscamente. Eduarda estava diante dele usando óculos de armação metálica. Era evidente que estava trabalhando, pois só usava óculos nessas ocasiões.

Cícero não terminou a frase, preferindo dizer:

— Desculpe por atrapalhar o seu trabalho.

Como já havia atrapalhado, não fazia sentido Eduarda reclamar.

— Como o Arthur está agora? — ela perguntou.

— Tomou soro e agora está dormindo. Parece estar melhor.

Eduarda assentiu. Era o filho dela, não chegaria ao ponto de ignorá-lo completamente quando estava doente. Ao saber que ele estava bem, ela se tranquilizou.

Percebendo que a expressão dela havia suavizado um pouco, Cícero continuou:

— O Arthur só falou aquelas coisas hoje porque estava confuso de febre. Ele não pensa daquele jeito, ele te ama muito.

Eduarda cruzou os braços e o encarou:

— Você está me culpando?

Cícero balançou a cabeça.

Eduarda sorriu. Um sorriso suave, mas carregado de segundas intenções, que Cícero não conseguiu decifrar no momento.

Ela ergueu uma das sobrancelhas e disse:

— Já que sabe que eu tenho um coração duro, por que não leva o seu filho e fica longe de mim, para que não nos incomodemos mais? Não seria melhor assim?

A luz nos olhos de Cícero se fragmentou, dando lugar a uma profunda melancolia.

Ele olhava para a mulher à sua frente, incapaz de tomá-la em seus braços.

Mesmo sabendo que ela era feita de gelo, uma rosa cheia de espinhos, ele ainda desejava caminhar em direção a ela sem hesitar.

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