Assim que Cícero trocou de sapatos, sentiu um clima pesado na mansão e perguntou:
— O que aconteceu?
A babá contou rapidamente tudo o que tinha acontecido durante o dia.
— A senhora não sabe o que fazer com o Arthur, e ele, de teimosia, se recusa a comer. Senhor, o que vamos fazer?!
Ao saber que Arthur estava com hipoglicemia, Cícero correu até ele e o pegou no colo.
— Rápido, tragam algo para ele comer — ordenou Cícero, com a testa franzida e o rosto tomado por preocupação e ansiedade.
Cícero deu leves tapinhas no rosto de Arthur e chamou baixinho:
— Arthur, não durma. Arthur, escuta o papai, levanta para comer alguma coisa.
A voz de Cícero era tão suave quanto a de quem tenta acalmar um recém-nascido. Ao ouvi-la, Arthur abriu os olhos lentamente, e suas mãozinhas agarraram com força a camisa do pai.
— Papai... você voltou...
Cícero se inclinou, aproximando-se do rostinho do filho, deu um leve sorriso e sussurrou:
— O papai está aqui. Vamos levantar e comer, está bem, Arthur?
Arthur fez um bico de choro e se encolheu ainda mais contra o peito do pai. Aquela cena partiu o coração de Cícero.
— Não faça mais birra, levante-se para comer.
Enquanto Cícero falava, a babá já estava ao lado com uma tigela de canja de galinha quentinha.
— Senhor, me dê o Arthur. Eu dou a comida para ele.
Cícero olhou para ela e estendeu uma das mãos livres.
O mordomo não hesitou e imediatamente entrou em contato com o médico particular da família para explicar a situação.
O médico chegou rápido. Após medir a temperatura de Arthur e fazer um exame básico, virou-se para Cícero:
— Senhor, Arthur pegou um resfriado por causa das mudanças bruscas de temperatura recentes. Não é nada grave. Depois de receber medicação na veia e beber bastante água, ele vai melhorar aos poucos.
Cícero assentiu. Ele olhou para Arthur, que estava deitado na cama infantil com os olhos fechados, ainda resmungando inconscientemente, e sentiu um aperto no peito.
O contato com o filho parecia ter dado vida à sua alma antes fria e distante.
Ele se sentou na beirada da cama e segurou a mãozinha que recebia o soro. Devido ao líquido gelado da medicação, a mão de Arthur também estava fria.
Cícero usou o próprio calor para aquecê-lo, massageando suavemente a mão do filho para confortá-lo. Arthur se acalmou rapidamente e, como a medicação continha um leve sedativo, seus olhos foram piscando devagar até se fecharem, entregando-se ao sono profundo.
Cícero permaneceu sentado ao lado da cama até o soro terminar. Quando Arthur se virou na cama abraçando seu bicho de pelúcia favorito para continuar dormindo, Cícero finalmente se levantou e deixou o quarto em silêncio.

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