Toda criança que não consegue o que quer se sente injustiçada.
Arthur gritou bem alto:
— Se mamãe não ficar comigo, eu não como! Se eu não comer, minha pressão vai cair e eu vou desmaiar!
Eduarda achou aquilo inacreditável; ela se abaixou até ficar na altura dos olhos de Arthur. Após mãe e filho se encararem por alguns instantes, Eduarda virou o rosto para o mordomo e ordenou:
— Traga a régua de madeira.
O mordomo obedeceu rapidamente, indo até o escritório e pegando uma régua grossa de madeira na gaveta.
Ao recebê-la, Eduarda olhou para Arthur e disse:
— Estenda a mão.
— Mamãe, o que você vai fazer... — Arthur já imaginava o que estava por vir, mas não queria acreditar que sua mãe, a pessoa mais gentil do mundo, faria algo assim.
Eduarda respondeu friamente:
— Já que você quer que eu te eduque, se você erra em questões de princípio, precisa ser punido.
Arthur não achava que estava errado e gritou, sentindo-se a maior vítima do mundo:
— Eu não fiz nada de errado! Eu só queria que a mamãe se importasse comigo, o que tem de errado nisso?
Eduarda limitou-se a dizer:
— Estenda a mão, ou eu nunca mais vou me importar com absolutamente nada que você faça.
— O que eu fiz de errado para a mamãe me bater?! Por que a mamãe quer me bater?!
Arthur chorava e gritava, sentindo-se imensamente injustiçado.
— A mamãe não era assim! Me devolve a minha mamãe de antes! Me devolve! A mamãe nunca ia me bater! Buáááá!!
Aos prantos, Arthur exigia que Eduarda lhe devolvesse a mãe que ela costumava ser.
Eduarda sentiu uma ponta de frustração, mas as palavras de Arthur eram claramente inaceitáveis.
Ela abaixou a mão que segurava a régua e disse:
A babá argumentou:
— Mas, senhora, o Arthur é seu filho de sangue. O seu coração não dói ao vê-lo assim?
Eduarda olhou de relance para Arthur, com a mente cheia de pensamentos misturados.
— A compaixão deve ser dada a quem a merece. Amar cegamente e sem medir consequências só gera mais erros.
A babá ia dizer algo mais, mas Eduarda a interrompeu:
— Já chega. Façam o que eu mandei e não discutam.
Dito isso, Eduarda subiu as escadas e voltou para o seu quarto.
O humor de Arthur continuava péssimo. Quando os empregados trouxeram a comida, ele fez birra e se recusou a comer.
Ficar sem comer inevitavelmente faria com que sua taxa de açúcar caísse. Mesmo sentindo tontura, Arthur se recusava a se alimentar, permanecendo sentado de forma teimosa na sala de estar. Conforme sua energia se esgotava, seus lábios começaram a ficar pálidos.
A babá estava desesperada ao ver o estado do menino. Coincidentemente, naquele exato momento, um barulho veio da porta da frente. A babá olhou e correu até lá como se tivesse visto um anjo salvador.

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