O choro sem parar de Arthur ao lado de Eduarda estava deixando-a irritada.
Ao ouvir o que ela disse, Arthur também se lembrou das palavras que havia gritado para ela no passado.
— Eu não quero que você seja minha mãe! Eu quero que a tia Weleska seja minha mãe!
— Mamãe é má! Eu não gosto da mamãe! Queria que a tia Weleska fosse minha mãe!
Aquelas palavras que ele tinha dito sem pensar para Eduarda agora voltavam para ferir ele mesmo, sem que ele percebesse.
Arthur se sentiu injustiçado e não soube o que dizer. Ele apenas agarrou as próprias mãozinhas e se aproximou um pouco mais de Eduarda, esfregando-se na perna dela em uma clara tentativa de reconciliação.
Eduarda não o abraçou, nem tomou a iniciativa de consolá-lo.
A birra de Arthur naquele momento a deixava exausta.
— Arthur, não adianta fazer manha. Pare com isso.
A voz de Eduarda não carregava a doçura e o carinho que Arthur tanto esperava.
Arthur se endireitou, piscou os grandes olhos para Eduarda e hesitou por um bom tempo antes de murmurar:
— Mamãe, me desculpe. Antes eu não entendia as coisas. Eu não devia ter falado daquele jeito com você, me perdoa.
Eduarda ergueu o olhar para o menino de cabeça baixa, notando o quanto ele estava perdido e ansioso.
Quando uma criança erra e sabe que deve pedir desculpas, a lógica diz que o adulto não deveria guardar rancor.
Mas Eduarda conseguia sentir que, quando Arthur disse aquelas palavras, elas vieram do fundo de seu coração.
Costuma-se dizer que a inocência das crianças as faz falar sem pensar, mas as crianças também não sabem mentir.
Ao ver que Eduarda demorava a responder, Arthur ficou ainda mais inseguro.
— Mamãe, você pode me perdoar? Eu quero ser o seu filho, eu quero o seu amor. A mamãe pode voltar a me amar como antes?
Diante da pergunta sincera de Arthur, era impossível que o coração dela não sentisse um leve abalo. No entanto, esse abalo serviu apenas para impedi-la de dizer algo cruel demais, mantendo um mínimo de civilidade.
A babá respondeu prontamente:
— Sim, senhora. Arthur, venha comigo.
A babá tentou pegar a mão do menino, mas ele se desvencilhou bruscamente:
— Não! Eu quero comer com a mamãe, eu quero dormir com a mamãe!
Arthur parecia diferente hoje, grudado em Eduarda como um bebê que ainda não tinha desmamado.
Mas, para seu azar, Eduarda estava exausta e sem paciência para lidar com ele.
O tom de voz dela endureceu, e seu olhar ficou severo.
— Arthur! Me obedeça, não faça birra.
Eduarda não queria entrar em um embate real com uma criança. Muitas das atitudes de Arthur iam totalmente contra o que ela acreditava. Se fosse parar para pensar, ela jamais teria ensinado aqueles maus hábitos a um filho.

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