Eduarda observou Arthur correr misteriosamente escada acima em direção ao próprio quarto e, pouco tempo depois, descer trazendo um diário nas mãos.
— O que é isso? — perguntou ela, assim que o menino colocou o caderno à sua frente.
— É o seu diário, mamãe. Você se esqueceu disso também? — Arthur colocou o caderno nas mãos de Eduarda e abriu na primeira página. — É a sua letra, mamãe, olhe rápido.
Eduarda, naturalmente, não tinha nenhuma lembrança daquilo. Ela pegou o caderno e observou a caligrafia nas páginas.
[Arthur já consegue engatinhar hoje. Ele é tão pequeno e macio. Olhar para ele me enche de felicidade. Enquanto Arthur estiver aqui, minha vida terá um novo sentido. Eu amo meu filho, o filho que tenho com Cícero.]
[Hoje Cícero tomou a iniciativa de abraçar Arthur. Ele segurou nosso filho e eu me sentei ao lado deles. Neste momento, me sinto verdadeiramente feliz. Gostaria que o tempo parasse agora, que ficasse congelado para sempre neste instante de felicidade.]
[Arthur começou a falar, e a primeira palavra que disse foi "mamãe". Fiquei tão emocionada. Uma criança que compartilha do meu sangue veio a este mundo, é o melhor presente que o universo poderia me dar.]
[Fiz uma sopa esta noite, e Cícero tomou e gostou muito. Fico muito feliz quando algo que faço com minhas próprias mãos é apreciado.]
Eduarda folheou mais algumas páginas casualmente. Havia poucas palavras em cada uma, apenas algumas frases curtas, mas todas descreviam momentos calorosos do cotidiano.
Ao tocar aquela caligrafia levemente envelhecida, Eduarda não sentiu absolutamente nada em seu coração. Em vez disso, uma dúvida persistente a invadiu: aquela era mesmo ela no passado?
Se fosse... Os olhos de Eduarda se estreitaram levemente, e ela jogou o diário no sofá.
Ao ver que Eduarda, que estava lendo o diário há poucos segundos, de repente perdeu o interesse, Arthur sentiu um aperto no peito:
— Por que a mamãe parou de ler?
Eduarda foi direta:
— Não quero mais ler. Leve isso daqui.
Ao ler aquelas palavras, que pareciam ter sido escritas por outra mulher, Eduarda sentiu apenas uma sensação bizarra e absurda. Não conseguia se identificar em nada.
Arthur, no entanto, ficou ansioso e insistiu em entregar o diário novamente para ela.
— Arthur, a mamãe vai dizer mais uma vez: não faça essas coisas sem sentido. Em vez de perder tempo com isso, vá procurar quem realmente gosta de ouvir essas coisas.
O tom sério e distante de Eduarda fez com que as lágrimas de Arthur parassem no mesmo instante.
Ele perguntou:
— Quem eu deveria procurar? Você não é a minha mamãe?
Eduarda deu um leve sorriso. Não havia ternura em seus olhos, apenas uma frieza cortante.
Ela pegou o caderno ao lado, abriu em uma página específica. Ali estavam as palavras escritas por "ela" depois que Arthur havia se apegado a Weleska, e cada palavra era como uma facada.
— Quem você deveria amar é a Weleska. Ela é que deveria ser a sua mãe.
Quando Eduarda terminou de dizer aquelas palavras com frieza, Arthur sentiu, naquele exato momento, que sua mãe o estava rejeitando.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes