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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 615

— O que aconteceu com aquele funcionário da prefeitura que, segundo você, era contra a venda do centro comercial? — Cícero questionou, com o olhar fixo no homem.

Ao ouvir a pergunta de Cícero, o homem mudou de expressão de vez e se recusou a falar, mesmo com pressão.

— Ah, chefe, não me pergunte isso, por favor. Não vai adiantar nada saber tanto assim. Se quiser saber de qualquer outra coisa, eu te conto.

Naquele momento, ficou evidente onde estava o verdadeiro problema.

Tanto Cícero quanto Eduarda tiveram o mesmo pensamento assustador.

Nenhum dos dois insistiu na conversa; simplesmente viraram as costas e saíram daquele quarto pequeno e abafado.

Sem ter conseguido o dinheiro, o homem continuou gritando atrás deles. Cícero lançou um último olhar na direção dele, e isso foi o suficiente para o homem congelar de medo.

Cícero entregou o envelope com o cheque e alertou:

— Controle a sua língua. Não saia falando bobagens.

O homem assentiu freneticamente:

— Sim, sim, pode deixar, fique tranquilo. A minha boca é um túmulo.

Cícero e Eduarda voltaram rapidamente para o carro.

Cícero disse:

— Eu vou te deixar em casa primeiro. Deixe o resto comigo, fique tranquila.

O olhar de Eduarda transparecia a preocupação que sentia em relação ao caso.

— A julgar pelo que aquele homem disse, não se trata apenas de um crime financeiro.

Não era preciso dizer muito; Eduarda já havia entendido. O mais provável era que o tal funcionário público estivesse com a vida em risco ou coisa pior.

Enquanto dirigia, Cícero orientou:

— Vou te deixar em casa e depois vou procurar o Evandro. Não se envolva mais nisso, apenas espere minhas notícias em casa.

Eduarda confiava na capacidade de Cícero para lidar com aquele tipo de situação, então não fez objeções.

Os dois se dividiram. Eduarda foi deixada no Praia Dourada Residence, e Cícero partiu sem demoras.

Assim que Eduarda pisou na mansão, teve a impressão momentânea de que os últimos dias não passavam de um sonho.

Ela parecia ter mergulhado em um mundo de disputas sombrias e implacáveis, algo muito distante de sua realidade habitual.

Naquele instante, Arthur estava descendo as escadas para a sala. Ao ver Eduarda no sofá, sentiu uma familiaridade calorosa e correu para abraçá-la.

— Mamãe, no que você está pensando? — Arthur perguntou.

Foi só então que Eduarda despertou de seus devaneios, encarou aquele rostinho branco e inocente e recuperou o foco na realidade.

— Nada não, só estou um pouco cansada.

Eduarda franziu a testa um pouco e só murmurou um — Ah.

Ela balançou a cabeça e explicou:

— Mamãe não lembra.

O rostinho que antes transbordava carinho murchou outra vez.

— Ah? Não é possível. Mamãe, o que aconteceu com você?

Eduarda sentiu que podia ser honesta com ele:

— A mamãe se machucou um tempo atrás e acabou esquecendo de muitas coisas sobre você e o seu pai. Dessas coisas que você contou, a mamãe não tem memória nenhuma.

Era a primeira vez que Arthur ouvia aquilo, e seu coração ficou em pânico. No entanto, ele logo chegou a uma conclusão rápida.

— Então quer dizer que a mamãe não me ama mais, nem o papai?

Diante dessa pergunta, a resposta de Eduarda foi imediata:

— Eu amava muito vocês antes?

Arthur acenou vigorosamente com a cabeça:

— Sim, sim! A mamãe amava muito a gente. Se a mamãe não acredita, eu posso pegar uma coisa pra você ver. Quando olhar, você vai saber.

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