Enquanto Eduarda tomava o café da manhã após sair do banheiro, Cícero ficou sentado no sofá folheando algumas revistas antigas deixadas pelo hotel.
Apenas quando Eduarda terminou de se arrumar é que os dois deixaram o local. Cícero dirigiu seguindo as instruções do GPS.
Eduarda notou que o destino era um bairro residencial bem antigo e se lembrou da explicação que Cícero havia dado anteriormente.
— O homem que estamos procurando era o administrador daquele antigo centro comercial. Ele deve saber de alguma coisa. É melhor investigar a fundo e não deixar passar nada, então vamos dar uma olhada.
E assim, Eduarda seguiu com Cícero pelas ruas daquela cidadezinha.
Cícero quase nunca tinha visto um lugar com tanta agitação popular. Naquela hora da manhã, a maioria das lojas da rua principal já estava aberta, vendendo de tudo. Ele olhou rapidamente, mas tudo ali era completamente estranho para ele.
Eduarda, por outro lado, observava tudo com bastante interesse. Desde pequena ela tinha contato com aquele tipo de comércio. Fosse pastel, pipoca ou amendoim torrado, o cheirinho de comida de rua era algo muito raro de se encontrar nos grandes shoppings da cidade.
Aproveitando um congestionamento, Cícero notou que Eduarda encarava com atenção o amendoim sendo torrado na chapa quente, e guardou silenciosamente a localização daquela barraca na memória.
Em seguida, continuaram avançando em direção ao destino. À medida que se aproximavam do bairro residencial, o comércio foi diminuindo e o ambiente se tornou mais silencioso.
Cícero estacionou o carro perto da calçada e os dois desceram.
Ao olhar o mapa no celular, Cícero se viu completamente perdido diante daquele aglomerado de prédios com fios emaranhados e onde era impossível encontrar os números das portas.
— Me dê isso aqui, deixa comigo. — Eduarda pegou o aparelho da mão dele, conferiu a tela e olhou ao redor algumas vezes.
Pouco tempo depois, ela já havia guiado Cícero por um labirinto de vielas até a entrada de um dos prédios.
Cícero perguntou, impressionado:
— Como você conseguiu encontrar?
Eduarda respondeu com indiferença:
— Eu morava em lugares antigos assim, então claro que não é difícil para mim achar. Um figurão como você, que nasceu morando em mansão, obviamente nunca conseguiria se localizar aqui.
Ouvindo Eduarda falar dessa forma, Cícero a observou por um instante e de repente sentiu que não a conhecia o suficiente. Ele nunca havia vivenciado a infância, as condições de vida e o histórico dela, sendo impossível compreender o que ela guardava nas profundezas do coração.
Eduarda não se importou com as reflexões de Cícero. Os dois subiram as escadas desgastadas e finalmente pararam diante de uma porta de ferro marrom.
— É aqui, não tem erro. — Ela checou o celular novamente, devolveu o aparelho para Cícero e deu um passo para trás, indicando para que ele batesse.
Cícero se aproximou e bateu na porta coberta de poeira. Uma voz masculina e áspera soou de dentro:
Cícero ergueu a mão, interrompendo:
— Não precisa, vamos direto ao assunto.
Cícero tirou um envelope de papel do bolso interno do sobretudo e foi direto:
— Este é um cheque já assinado, a título de indenização para você. Basta responder às minhas perguntas, e poderá ir ao banco trocar por dinheiro.
Os olhos do homem se cravaram no envelope com ganância. Quando ele esticou a mão para pegá-lo, Cícero afastou o documento.
Encarando-o, Cícero impôs a condição:
— Antes de pegar o dinheiro, você terá que responder a algumas perguntas.
O homem esfregou as mãos, adotando uma postura prestativa:
— Chefe, pode perguntar o que quiser. O que eu souber, eu conto, sem dúvida.
Então, Cícero deu início ao interrogatório, enquanto Eduarda acompanhava em silêncio. No começo, as respostas pareciam perfeitamente lógicas e sem falhas, mas, quanto mais Eduarda ouvia, mais sentia que havia algo fora do lugar. Ela trocou um olhar com Cícero, e ambos perceberam que havia uma peça muito mais importante naquele quebra-cabeça.

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