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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 613

Cícero sorriu sem graça, olhou para Eduarda e se justificou:

— Não fui eu quem planejou isso. Damiano deve ter cometido algum erro com a reserva.

Desta vez, Cícero estava realmente sendo sincero.

— Sabendo que você me rejeita tanto, por que eu ia forçar você a fazer algo assim? — ele abriu os braços, demonstrando inocência.

Eduarda ergueu levemente uma sobrancelha, questionando intimamente se não teria julgado Cícero de forma precipitada.

Um pouco envergonhada, ela murmurou um pedido de desculpas e deu as costas para sair do hotel.

Assim que pegou o cartão magnético, Cícero correu atrás dela e bloqueou seu caminho:

— Aonde você vai?

Os olhos brilhantes de Eduarda se fixaram nele:

— Vou procurar outro hotel, o que mais eu faria?

Cícero apontou para os arredores:

— Isto aqui não é uma cidade grande. Em uma região de interior como esta, o único hotel com alguma estrutura é este. Não tem outro.

— Isso é problema seu, você é tão exigente e mimado — Eduarda retrucou, sem muita paciência. — Na minha infância, eu morei em todo tipo de buraco. Depois de apanhar em casa, já dormi até em galpões. Você acha que eu não conseguiria ficar numa pousada simples com ar-condicionado e água vinte e quatro horas?

A intenção de Eduarda era clara: ela estava criticando Cícero por ser um riquinho mimado que não aguentava o menor desconforto.

Ainda assim, Cícero a segurou:

— Não. Eu não ficaria tranquilo. Vamos ficar neste quarto; você dorme na cama e eu durmo no sofá.

Eduarda soltou uma risada de escárnio e balançou a cabeça:

— Não precisa. Eu posso muito bem arrumar um quarto só para mim. Fique aí, a gente se vê amanhã de manhã.

Vendo que Eduarda estava decidida a sair, Cícero foi atrás dela.

Envolta pela escuridão da noite, Eduarda notou o homem alto ao seu lado, caminhando de lábios cerrados, acompanhando cada passo seu, e balançou a cabeça com resignação.

Como já havia pensado antes, não valia a pena se desgastar com as atitudes e palavras dele. Empurrá-lo não surtia efeito, era só desperdício de energia. Melhor deixá-lo fazer o que quisesse.

Mais cedo ou mais tarde, ele próprio não aguentaria a situação e iria embora, devolvendo a ela a sua paz.

Quando Eduarda se virou para pegar uma toalha, viu aquele homem de quase um metro e noventa encolhido em um sofá de no máximo um metro e meio, com metade das pernas penduradas para fora. A cena a fez achá-lo um tanto cômico e digno de pena.

Mas ela não sentiu que deveria ter pena dele.

Eduarda apenas o observou de relance antes de entrar no banheiro. Depois do banho, deitou-se na cama para descansar e apagou a luz.

Na escuridão, Cícero, que fingia dormir com os braços cruzados no sofá, abriu lentamente os olhos. Banhado pela luz prateada da lua, ele observou a suave elevação nas cobertas da cama. O corpo de Eduarda parecia se afundar no colchão espaçoso, e sua expressão enquanto dormia era serena e bela.

Inconscientemente, Cícero curvou os lábios em um sorriso. Olhar para ela fazia seu coração se encher por completo.

Na manhã seguinte, quando Eduarda ainda não havia se levantado e sua consciência apenas começava a despertar, ouviu o som da porta se fechando. Em seguida, o aroma de comida invadiu o ar. Ela se apoiou nos cotovelos e viu Cícero entrando com uma bandeja de café da manhã.

Ao notar que ela havia acordado, Cícero disse:

— Acordou bem na hora. Vá se lavar e venha tomar café.

Eduarda sentou-se lentamente na cama e olhou atentamente para ele. Cícero já estava vestido; embora usasse roupas casuais, não havia perdido em nada a sua elegância.

— Ah, deixe aí. Eu como daqui a pouco — ela respondeu, levantando-se e indo em direção ao banheiro.

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