Eram sempre as mesmas desculpas, e Eduarda já estava cansada de ouvir.
— Chega, Cícero. Não faz sentido você dizer essas coisas agora. Quem me salvou e ficou ao meu lado até eu acordar foi o Franklin. Só por causa disso, você já perdeu qualquer chance de se reconciliar comigo.
Eduarda olhou para a mão dele no seu braço e disse friamente:
— Solta.
As palavras de Eduarda perfuraram o coração de Cícero, que parecia sangrar. Com a voz rouca, ele respondeu:
— Soltar você é algo que não quero mais fazer.
Eduarda estreitou os olhos para encará-lo, e no segundo seguinte, Cícero se levantou e a puxou, trancando-a em um abraço apertado.
Eduarda se debateu incessantemente:
— Eu mandei me soltar! Cícero, pare de me incomodar!
— Posso fazer o que você quiser, menos isso.
Cícero apertou o abraço ainda mais. Sem dizer uma palavra, ele apenas a segurava firmemente contra o próprio corpo.
Eduarda lutou por um longo tempo, mas não conseguiu se libertar daquele aperto que parecia de ferro.
Até que ela se cansou de resistir, e ainda assim Cícero não a soltou.
Seu nariz estava impregnado com o perfume dele, e Eduarda fechou os olhos.
Dominada pelo cansaço, ela murmurou:
— Cícero, faça o que quiser. Se você tem tanta certeza de que vai conseguir me fazer mudar de ideia, então tente. Eu não me importo mais.
Pensando bem, nos últimos tempos ela já havia conversado com ele inúmeras vezes. Fosse tentando dialogar racionalmente ou resistindo de forma direta, nada surtia efeito.
Sendo assim, por que continuar gastando energia? Cícero só queria que ela correspondesse ao seu amor e não tinha a menor intenção de deixá-la ir, então falar era inútil. Era melhor deixá-lo agir como bem entendesse.
Ela soltou um riso anasalado, ergueu os olhos e o encarou com frieza.
Não importava o que ele fizesse, o resultado seria o mesmo. Ela nunca voltaria atrás. Se o fizesse, seria uma traição à vida que Franklin Nogueira arrancou das mãos da morte por ela.
Cícero pareceu se animar, e seus olhos brilharam com fervor ao olhar para ela.
— Você está mesmo disposta a me dar uma chance?
Eduarda cortou as esperanças dele imediatamente:
— Não se engane. Isso não é uma chance. Eu só percebi que não dá para conversar com você, então faça o que achar melhor.
Eduarda concordou com a cabeça.
Cícero ligou para Damiano e, pouco tempo depois, recebeu uma confirmação.
Ele olhou para Eduarda e decidiu:
— Teremos que ir até lá para investigar. Pedi que reservassem um hotel. Vamos amanhã?
Sem questionar muito, Eduarda apenas concordou.
Quando chegaram no dia seguinte, a expressão de Eduarda escureceu visivelmente.
O recepcionista do hotel entregou a ela um cartão e explicou:
— Desculpe, senhora, mas só temos um quarto disponível. Vocês terão que dividi-lo.
Eduarda deu um sorriso irônico, entendendo perfeitamente a armadilha por trás daquelas palavras.
Ela se virou para Cícero e disparou:
— Então é esse o seu truque para tentar uma reconciliação? Que jogada mais baixa.

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