Mas Roberto rebateu:
— Cícero, eu não sei o que se passa na cabeça do Evandro. Na época, eu pensava igual a você e até tentei convencê-lo a ficar, mas ele já tinha decidido ir embora. Não havia o que fazer. Quando você foi encontrá-lo, não conseguiu descobrir nada?
Cícero deu um sorriso contido e balançou a cabeça negativamente.
Roberto continuou:
— Então, eu não sei de mais nada. O grupo tem muitas questões para lidar, e eu não posso ficar acompanhando os passos de uma única pessoa o tempo todo, concorda?
Claramente, Roberto estava tentando enrolar e desviar do assunto, não querendo dar detalhes sobre Evandro.
Mas, quanto mais ele agia assim, mais Cícero desconfiava de que o problema estava exatamente ali.
Com um gesto da mão, Cícero fez sinal para Damiano, que trouxe um documento e colocou na frente de Roberto.
— Já que voltei ao meu cargo, este projeto também faz parte das minhas responsabilidades. Por favor, tio Roberto, assine aqui para que eu possa me integrar à equipe. Claro que o senhor continua sendo o diretor principal; não pretendo roubar o seu mérito.
Na hora de assinar, Roberto hesitou e não colocou o nome no papel imediatamente.
Cícero não demonstrou pressa. O procedimento normal exigia a participação dele, e a recusa de Roberto em assinar naquele momento tornava tudo ainda mais suspeito.
Sendo assim, Cícero ficou apenas aguardando a assinatura.
Roberto se viu encurralado, sem ter muito para onde correr. Ao encarar Cícero, que estava sentado com os braços cruzados do outro lado da mesa, ele deu uma risada amarela e, por fim, pegou a caneta para assinar.
Ao receber um olhar de Cícero, Damiano recolheu o documento.
— Obrigado pelo esforço, tio Roberto. Pedirei a Damiano para alinhar os detalhes.
Após um resmungo afirmativo, Roberto se levantou de supetão e saiu de mau humor, murmurando algumas palavras. Damiano o acompanhou até a saída, conforme as regras de etiqueta.
Na sala de reuniões, restaram apenas Cícero e Eduarda.
Assim que Cícero se virou para falar algo com Eduarda, ela se afastou, quebrando a proximidade que existia entre os dois há pouco.
A mão de Cícero travou no ar, percebendo que os momentos de intimidade de antes não passavam de uma ilusão.
— Você viu que com certeza tem algo errado nisso, então, por favor, acompanhe o caso comigo — Cícero disse, temendo que ela recusasse. — Vindo pessoalmente, você também ficará mais tranquila.
Eduarda virou o rosto silenciosamente para olhá-lo e passou um bom tempo sem dizer nada.
Ela deu um sorriso leve e balançou a cabeça:
— Realmente não te entendo. Fica aí se agarrando a uma mulher que já está decepcionada com você.
Eduarda se levantou com a intenção de sair da sala, mas foi impedida quando ele segurou seu braço.
Cícero ergueu o rosto; seus olhos estavam vermelhos, cheios de uma dor contida.
— Eu errei naquele episódio. Houve um mal-entendido e, quando eu finalmente descobri o que estava acontecendo, já era tarde para consertar.
Eduarda soltou um som de dúvida e questionou:
— Que tipo de mal-entendido?
Cícero, porém, não foi direto ao ponto.
De fato, Weleska havia orquestrado a situação, mas foi ele quem deu a ela a oportunidade para agir. Cícero não era o tipo de homem que jogava toda a culpa em outra mulher para se eximir.
— Eu queria te salvar. Depois daquele dia, me arrependi inúmeras vezes. Se eu estivesse ao seu lado, não teria te perdido por tanto tempo.

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