— Isso é tudo o que eu tinha a dizer. Você pode voltar para o seu quarto e descansar cedo.
Após dizer isso, Cícero voltou a se sentar à escrivaninha, ligou o computador e começou a trabalhar em seus documentos.
Eduarda olhou para o cartão na palma da mão, não pensou muito a respeito e saiu do escritório.
Já que Cícero queria dar, por que ela ia recusar? Ela não tinha pedido nada.
Além disso, aceitar não significava que ela ia usar mesmo. Ela tinha dinheiro mais do que suficiente para si mesma e não se importava muito com a fortuna de Cícero.
Ao voltar para o quarto, Eduarda cuidou de alguns assuntos de trabalho, como de costume, antes de tomar banho e ir dormir.
Na manhã seguinte, depois que Cícero voltou de sua corrida matinal, ele chamou Eduarda para irem juntos ao Grupo Machado.
Eles chegaram relativamente cedo. Cícero seguiu para o escritório da presidência, enquanto Eduarda foi para o Departamento de Relações Públicas, onde atuava.
Todos no departamento ficaram alertas ao ver Eduarda, a diretora que raramente aparecia. Primeiro, por ela ser a chefe máxima ali; segundo, por ser a esposa do presidente. Ninguém ousaria provocá-la facilmente.
Eduarda não fez cerimônia. Pediu que organizassem uma reunião naquela mesma manhã e seguiu para a sala levando seus próprios relatórios.
Durante a reunião, Eduarda sentou-se na cabeceira da mesa, atenta aos relatórios apresentados pelos funcionários.
Ela assentiu com a cabeça e aplaudiu levemente.
— Vocês fizeram um ótimo trabalho. Mesmo na minha ausência, ninguém relaxou em suas funções. Em uma empresa tão grande como o Grupo Machado, cada aspecto das relações públicas exige a dedicação de vocês. Espero que mantenham esse ritmo de trabalho no futuro. Qualquer problema, conversem diretamente com o gerente do departamento; a opinião dele reflete a minha.
Eduarda acenou com a cabeça para o jovem e competente Sr. Alves, que retribuiu o gesto prontamente.
Ela já havia conversado com ele anteriormente.
Eduarda foi muito direta:
— Sr. Alves, relações públicas não é a minha área. Você sabe que minha formação é em design, e meu cargo aqui no grupo é, para ser sincera, apenas uma formalidade. Se houver algum trabalho real, vou precisar que você cuide disso.
Enquanto falava, Eduarda assinou um formulário de aprovação.
— Este é o bônus do seu projeto anterior. Pode ir ao departamento financeiro retirá-lo. Não precisa da assinatura do Sr. Machado, a minha aprovação é suficiente.
— Não pense demais. Como eu disse, o Sr. Machado tem dinheiro, e isso tudo vai ser descontado do salário dele. Além do salário, ele tem participação nos lucros. Isso não é nada para ele.
Eduarda entregou o segundo formulário ao Sr. Alves:
— Pronto. Me escute e leve isso ao setor financeiro para seguir com o processo.
O Sr. Alves agradeceu repetidamente e saiu do escritório segurando as duas autorizações como se fossem decretos reais de uma rainha.
Foi por causa disso que, durante a reunião da manhã, todos se mostraram tão cooperativos e apoiaram Eduarda de forma calorosa.
Depois de mais algumas palavras gentis, Eduarda anunciou o restante dos benefícios:
— Além do trabalho essencial, vou dar a todos vocês uma folga extra e remunerada. Aproveitem para relaxar bastante.
Os funcionários quase choraram de emoção; mal sabiam como expressar a imensa gratidão que sentiam pela nova diretora.
Como Eduarda não estava ali para receber bajulação, simplesmente dispensou a todos e voltou para sua sala. Assim que chegou à porta, encontrou Damiano esperando por ela.

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