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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 607

Ao vê-la, Damiano cumprimentou educadamente:

— Senhora, você retornou.

Eduarda olhou para ele:

— O que deseja comigo?

Damiano abriu a porta do escritório para Eduarda e entrou logo atrás dela.

— O departamento financeiro me disse que a senhora aprovou dois bônus muito altos e pediu para descontar do salário do Sr. Machado. Como a quantia é bastante elevada, vim confirmar pessoalmente.

Eduarda sentou-se na imensa cadeira giratória de couro e acenou afirmativamente:

— Sim, fui eu que aprovei. Tem algum problema?

Ela fez uma pausa e deu um leve sorriso:

— Por quê? O Sr. Machado ficou com pena de gastar? Ontem mesmo ele disse que eu poderia usar o dinheiro como quisesse. Dar um pequeno benefício aos meus funcionários não deveria ser grande coisa.

A expressão de Damiano não mudou. Ele sabia muito bem que Eduarda estava apenas usando um eufemismo. Aquilo não era um benefício pequeno não; era quase como pegar dinheiro na conta dele sem cerimônia, pegando o salário anual do presidente para distribuir como se fosse brincadeira entre os funcionários comuns.

Provavelmente, não havia outra pessoa no mundo, exceto Eduarda, que ousaria fazer algo assim sem ser intimidada por Cícero.

Damiano respondeu com respeito:

— O Sr. Machado não pensa assim, na verdade, ele ainda nem sabe disso. O setor financeiro me comunicou primeiro, então vim perguntar à senhora apenas para garantir que não houvesse nenhum mal-entendido.

Eduarda não quis questionar o profissionalismo de Damiano.

— Então vá contar a ele. Se ele não concordar, vou passar o cartão dele e jogar as despesas na conta pessoal.

Damiano baixou a cabeça:

— Certo, irei reportar ao Sr. Machado. Com licença, senhora.

Eduarda não disse mais nada, e Damiano deixou o escritório.

No escritório da presidência, Damiano entregou os relatórios financeiros e os documentos assinados por Eduarda a Cícero.

Como de costume, Cícero analisou primeiro os balanços financeiros e, só por último, prestou atenção àquele documento.

Damiano transmitiu o recado de Eduarda exatamente como fora dito. Ele esperava que Cícero ficasse no mínimo um pouco descontente, mas, para sua surpresa, os cantos da boca do chefe se ergueram em um sorriso que parecia de profunda satisfação.

Curioso, Damiano perguntou:

— Sr. Machado, não tem nenhuma objeção à atitude da senhora?

Cícero manteve a expressão, parecendo estar de excelente humor.

Damiano não tinha mais o que argumentar.

— Sendo assim, seguindo a vontade do senhor, vou informar o setor financeiro para que liberem os fundos ao Departamento de Relações Públicas.

Damiano hesitou por um segundo:

— Mas o seu... bem, deixa para lá. Com licença, Sr. Machado, estou de saída.

Cícero não questionou o que Damiano estava prestes a dizer, limitando-se a concordar com a cabeça.

Quando Damiano já segurava a maçaneta da porta, Cícero lembrou-se de um assunto muito importante e o chamou de volta.

— O vice-presidente veio hoje? Marque uma reunião com ele.

A expressão de Cícero já não ostentava a leveza de antes. Ele voltou a exibir sua postura séria e implacável de líder corporativo.

Tendo recebido a ordem, Damiano assentiu:

— Vou contatá-lo e lhe dou um retorno em seguida.

Damiano foi ágil. Após se articular com o secretário do vice-presidente, não demorou para fixar o horário da reunião. Logo em seguida, desceu para acompanhar pessoalmente Roberto Machado até o andar superior.

O humor de Roberto não era dos melhores. Ao subir e dar de cara com Cícero, teve que forçar bastante para esboçar um sorriso.

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