Eduarda olhou para Cícero com os olhos cansados e brilhantes, mas ficou em silêncio.
Ela simplesmente ergueu a mão e, com um tapa seco, afastou o braço dele.
Cícero observou a própria mão repelida, e seu corpo pareceu enrijecer com a rejeição.
Com uma frieza inabalável, Eduarda disse:
— Pra que eu vou me lembrar de alguma coisa? Minha vida foi completamente arruinada pela sua família, os Machado. Você acha que as coisas vão melhorar por mágica se eu lembrar do passado? Isso faria alguma diferença de verdade?
Ela lançou-lhe um olhar de profundo descaso, com uma impaciência evidente brilhando em seus olhos.
— Eu realmente não te entendo. Você não tem medo de que eu me lembre de todas as desgraças e passe a ter ainda mais nojo de você do que eu já tenho agora?
O coração de Cícero apertou. Como ele poderia não ter medo?
Mas ele temia infinitamente mais que Eduarda nunca se lembrasse de que o amava.
Forçando um sorriso amargo, ele respondeu:
— Talvez, lá no fundo, você também queira se lembrar. Tudo aquilo que você desejava no passado, agora está ao seu alcance sem esforço. Talvez isso seja algo bom.
Eduarda deu uma risadinha debochada:
— Não tenho tanta certeza, Cícero. Se você está sendo tão atencioso e desesperado para que eu recupere minha memória, deve significar que você ganha muito mais com isso. Como um bom homem de negócios, você jamais investiria em algo que não lhe trouxesse lucro.
O rosto de Cícero escureceu, e ele fixou o olhar duramente no rosto dela.
— Quando o assunto é você, eu jamais usei o conceito de lucro ou a tratei como um objeto que pudesse ser avaliado dessa forma!
Cícero pronunciou essas palavras com uma seriedade absoluta.
No entanto, Eduarda não se importava no mínimo.
— Sejam lucros, valores ou seja lá o que for, Cícero, eu não ligo. Eu não dou a mínima para o que se passa na sua cabeça. Então, vir com esse papo para cima de mim não faz o menor sentido. Você entende isso?
Ela desviou o olhar em direção à janela.
— Você não disse que tinha um assunto sério para tratar? Fale logo. Quero voltar para o meu quarto e descansar quando acabar.
Ela realmente não queria mais nenhum tipo de contato com Cícero. O toque dele lhe causava uma repulsa avassaladora.
Mais uma vez, Cícero sentiu seu coração ser esmagado. Após sucessivas barreiras e rejeições cruéis, ele acreditava já estar anestesiado. Mas descobrira da pior maneira que, enquanto seu coração ainda batesse por ela, a dor sempre encontraria um caminho.
Ele disfarçou a angústia em seu olhar e soltou um longo suspiro.
Ele se aproximou de Eduarda, segurando o pequeno objeto nas mãos, e o estendeu na direção dela.
— Vejo que você se dá muito bem com a Elisa. Saia com ela para passear nos seus dias livres. Se gostar de algo, apenas compre. Use este cartão.
Eduarda olhou para o cartão estendido pelos dedos dele e soltou uma risada intrigada:
— O Sr. Machado está mesmo sendo generoso, me entregando um cartão com essa facilidade. Se não me engano, este modelo não tem limite de crédito. Não tem medo de que eu torre toda a sua fortuna?
A expressão de Cícero não vacilou; ele até aproximou o cartão um pouco mais dela.
— O dinheiro que eu ganho foi feito justamente para a minha esposa gastar. Entregar isso a você é apenas a minha obrigação — Cícero falou com um leve aceno de cabeça.
Eduarda ergueu o queixo e o retrucou:
— Quem aqui é a sua esposa? Eu sou a sua ex-esposa.
Cícero não a contradisse, limitando-se a responder:
— Na época em que éramos casados, você nunca gastou o meu dinheiro. Encare isso como uma forma de eu compensar o passado. Pode passar esse cartão como e onde você bem entender.
Preocupado que Eduarda não fosse aceitar, ele gentilmente pegou a mão dela e colocou o cartão bem no centro de sua palma.

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