Entrar Via

Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 604

Eles não estavam ali para uma sessão de terapia de casal.

Dessa vez, foi a vez de Evandro ficar constrangido. Ele não esperava que Eduarda fosse ser tão implacável.

No entanto, como um homem experiente que já havia lidado com todo tipo de pessoa, ele rapidamente recuperou o equilíbrio e continuou, com um sorriso conciliador:

— É admirável o quão direta a Eduarda é. Ela não esconde os sentimentos, não te obriga a tentar adivinhar as coisas. Cícero, você tirou a sorte grande com uma mulher assim! Quando vocês tiverem algo a dizer, coloquem as cartas na mesa de forma transparente. Isso é excelente!

Cícero hesitou por um segundo, e com um sorriso amargo no rosto, respondeu:

— O senhor tem toda a razão.

Ele virou-se silenciosamente para observar Eduarda. Ela parecia completamente imune a toda aquela tensão, continuando sua refeição em um ritmo elegante e tranquilo, como se nada tivesse acontecido.

Em total contraste, o interior de Cícero estava em tumulto por causa daquelas poucas palavras.

Como ele poderia não ter colocado as cartas na mesa com ela? Era justamente por eles serem tão francos um com o outro que Cícero compreendia perfeitamente a postura de Eduarda. Ela não tinha mais o menor interesse nele.

E era essa clareza que tornava a dor em seu coração ainda mais insuportável.

Cícero pensou que, se alguém tivesse a fórmula mágica para fazer Eduarda mudar de ideia, ele daria tudo o que possuía em troca.

Infelizmente, ninguém tinha essa solução. Ele só podia continuar tentando, mesmo que isso significasse bater a cabeça contra a parede até sangrar e se machucar profundamente.

Passada a tensão emocional inicial, o almoço seguiu com conversas sobre trivialidades, tornando o ambiente muito mais harmonioso.

Após o almoço, Arthur e Wilmar quiseram voltar ao parque de neve. Eduarda e Elisa os acompanharam até o anoitecer. Apenas quando estavam exaustos de tanto brincar, as duas crianças foram levadas de volta para casa.

Ao retornarem à mansão, a babá levou Arthur para o quarto para tomar banho e descansar.

Quando Eduarda estava prestes a ir para o seu próprio quarto, Cícero bloqueou seu caminho.

— Vamos ao escritório conversar — disse ele. — Hoje consegui tirar algumas informações do Evandro, e acho que você deveria estar a par de tudo.

Ao perceber que se tratava de um assunto sério, Eduarda não recusou:

Eduarda revirou os olhos em pensamento, completamente incapaz de se lembrar de alguma vez ter feito algo semelhante por Cícero.

— Desculpe, eu me esqueci de tudo isso. Não tenho lembrança alguma. Pode se afastar, por favor. — Eduarda respondeu com seu habitual tom gélido.

Mas ele não a soltou. Manteve uma mão pousada com delicadeza sobre o ombro dela, enquanto a outra continuava trabalhando nos pontos de tensão da testa dela, repetindo os mesmos movimentos que Eduarda fazia por ele no passado.

Cícero se curvou levemente. Seus lábios quase tocavam o contorno da orelha de Eduarda, e a respiração morna dele soprou ritmicamente contra a pele clara dela, provocando um levíssimo arrepio por todo o seu corpo.

Cícero esboçou um sorriso discreto e sussurrou suavemente em seu ouvido:

— Não tem problema. Tudo o que você esqueceu... Eu farei você se lembrar, aos poucos.

Daquele ângulo, Cícero tinha uma visão perfeita do perfil delicado e dos lábios avermelhados de Eduarda. Aquele rosto causava um turbilhão dentro dele; sentiu todo o sangue do corpo correr para a cabeça num súbito e intenso desejo incontrolável.

Ele se inclinou ainda mais, murmurando:

— Contanto que continuemos juntos, você vai se lembrar de tudo.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes