Evandro pegou dois cigarros com o gerente e ofereceu um a Cícero.
Os dois estavam no terraço do restaurante a céu aberto. Enquanto a fumaça subia lentamente, Evandro deu uma tragada e começou:
— Falando sobre o segredo do casamento... Como marido, é o básico proteger e respeitar sua mulher. Mas, se você quiser aprofundar o vínculo, precisa conhecer os gostos e o coração dela. Só quando você entrar na cabeça da sua esposa e se conectar com a essência dela, é que ela vai aceitar você de verdade.
Embora Cícero estivesse com o cigarro entre os dedos, ele escutava as palavras de Evandro com a atenção de um aluno humilde diante de um professor.
No quesito emoções e convivência conjugal, Cícero era, sem dúvida, um completo fracasso.
E Evandro não se incomodava nem um pouco em compartilhar sua sabedoria.
— Tente observar o que a Eduarda gosta de fazer no dia a dia, pelo que ela se interessa. Você precisa mergulhar nesses interesses no momento certo. Assim, vocês terão assuntos em comum. É uma excelente forma de fortalecer a ligação afetiva. Ser casal não é só sobre o que acontece na cama; a compatibilidade intelectual e emocional é o que as mulheres mais valorizam.
Cícero levou o cigarro aos lábios, deu uma longa tragada e soltou a fumaça branca lentamente. Ele estava absorvendo cada palavra do conselho de Evandro.
O cigarro de Evandro já havia queimado mais da metade quando ele deu mais algumas tragadas.
— Cícero, se quiser se dar bem com a Eduarda, você vai ter que se esforçar muito mais. O coração de uma mulher é muito precioso; você tem que tratá-lo como a joia mais rara que existe.
Cícero deu um leve sorriso:
— Aprendi a lição. Muito obrigado, Sr. Castro.
— De nada. Se a Eduarda souber que você tem essa intenção, aposto que ela se abrirá mais. Pelo que vejo agora, falta aquela intimidade apaixonada entre vocês dois.
O olhar de Cícero escureceu levemente:
— Seria ótimo se fosse apenas isso.
Ele já havia tentado praticamente tudo ao seu alcance, e ainda assim, Eduarda se recusava a lhe dar um único sorriso, a menor faísca de esperança.
Nas profundezas das madrugadas, Cícero também sentia que não ia aguentar. Mas ele não podia desmoronar, nem desistir. Entre os dois, era apenas ele quem continuava segurando as rédeas da relação. Se ele soltasse, tudo estaria definitivamente acabado.
O caminho para reconquistar Eduarda era árduo e amargo, mas ele jamais poderia jogar a toalha.
Para não causar uma saia justa na frente de Elisa e Evandro, Eduarda segurou qualquer resposta grossa, mas ignorou completamente o que Cícero havia lhe servido, preferindo se servir de outro prato.
O sorriso de Cícero congelou, mas ele não teve escolha a não ser agir como se nada tivesse acontecido.
Evandro e Elisa perceberam a tensão sutil. Tentando aliviar o clima, Evandro interveio:
— Eduarda, sabia que agorinha mesmo o Cícero estava conversando comigo sobre querer conhecer melhor os seus gostos? Ele é um homem viciado em trabalho, não tem aquela sutileza emocional. Às vezes, você precisa dar um desconto a ele, não acha? A propósito, o que você mais gosta de fazer no seu tempo livre, Eduarda? Deixe o Cícero saber um pouco mais sobre você.
Ao ouvir as palavras de Evandro, Eduarda virou o rosto para olhar Cícero. Por um momento, ela se perguntou qual era a jogada dele.
Cícero apenas retribuiu com um sorriso contido.
Eduarda soltou uma leve risada irônica, sem a menor intenção de entrar na brincadeira de Evandro.
— Sr. Castro, meu casamento com ele durou seis anos. Se em seis anos ele não descobriu o que eu gosto, querer me conhecer agora não parece totalmente irônico?
Eduarda não fez a menor questão de poupar o orgulho de Cícero. Afinal, não havia razão para engolir desaforos ou fingir harmonia diante de uma situação daquelas.

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