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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 602

Evandro estava visivelmente abalado. Aquele receio já havia passado por sua cabeça antes.

— Você quer dizer que o seu tio Roberto não vai me deixar em paz? — perguntou Evandro, encarando Cícero.

Dessa vez, Cícero preferiu se esquivar da resposta direta.

— O senhor tem todo o tempo para refletir bem sobre isso, Sr. Castro. Mas, na situação em que nos encontramos, ninguém mais é apenas um espectador.

Evandro compreendia. Mesmo tendo deixado o Grupo Machado, sua ligação com a empresa fora profunda demais. Era como as raízes de uma grande árvore, que se espalham de tal forma que é impossível arrancá-las por completo.

Ele ficou em silêncio por um momento, absorvendo as palavras de Cícero. O jogo se arrastou por duas horas até que Evandro decidiu encerrar a partida mais cedo.

Cícero também já havia perdido o interesse. Após o caddie recolher os tacos, ele perguntou sobre a localização do complexo de inverno indoor do resort. O gerente do campo prontamente informou que um carrinho elétrico os levaria até lá.

Deixando de lado a postura séria de antes, Cícero convidou Evandro para irem até o complexo de neve checar as crianças.

Dentro do parque de neve.

Arthur já estava brincando animadamente com Wilmar. No curto espaço de tempo, ele até havia ensinado algumas noções básicas de esqui para o outro garoto.

Crianças não guardam rancor; basta começarem a brincar para se tornarem grandes amigos, deixando completamente para trás o ciúme e as birras de mais cedo.

Quando Cícero entrou no parque, viu Eduarda e Elisa conversando de forma descontraída em um canto, com sorrisos suaves nos rostos.

Uma onda de calor repentino e reconfortante tomou o coração de Cícero.

Ver a esposa e o filho sorrindo e se divertindo daquela forma era uma experiência incrivelmente feliz. Por que ele nunca havia percebido isso antes?

Evandro deu um leve tapinha no ombro de Cícero:

— Pensando no quê? Já é quase meio-dia, vamos almoçar juntos. As crianças já devem estar com fome.

Cícero assentiu:

— Vamos.

Elisa notou a aproximação dos dois homens e tocou suavemente na mão de Eduarda para que ela olhasse na mesma direção.

Evandro chamou:

— Vamos, vamos levar os meninos para comer. Já pedi para deixarem tudo preparado.

Elisa foi imediatamente até a pista chamar os garotos. Como estavam no auge da diversão, é claro que eles não queriam ir embora.

Cícero caminhou ao lado de Evandro, sentindo uma certa empatia por aquele comentário. Aproveitou a deixa, pois tinha uma dúvida pairando em sua mente.

— Sr. Castro, como é o dia a dia entre o senhor e a Elisa? Como vocês convivem?

Evandro, passando pela porta, pareceu surpreso com a pergunta:

— É uma dinâmica normal de marido e mulher, nada de extraordinário. Nós não temos toda aquela paixão ardente, até pela nossa diferença de idade. Felizmente, a Elisa não se importa com o fato de eu ser um pouco antiquado, sem graça às vezes e mais velho. Então, nossa convivência é baseada no respeito mútuo e em ter uma vida tranquila juntos.

Cícero fez uma pausa e perguntou novamente:

— E para alcançar esse nível de convivência, o que um homem precisa fazer?

Evandro estreitou o olhar, finalmente entendendo aonde Cícero queria chegar.

— Ah, então o mestre aqui está pedindo conselhos matrimoniais? O que foi, as coisas não estão boas entre você e a Eduarda? — Assim que disse isso, Evandro se lembrou de que os dois estiveram separados por um tempo, o que naturalmente deixara marcas. Percebendo a indelicadeza da própria pergunta, ele emendou: — Bom, não tem segredo. Deixe o velho aqui te dar umas dicas ao longo do caminho.

Ao chegarem ao restaurante, Eduarda e Elisa já estavam com as crianças, olhando o menu.

Elisa perguntou aos dois homens o que gostariam, e Evandro respondeu:

— Podem pedir o que vocês preferirem. Só garantam que tenha o suficiente para nós dois também.

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